Quanto de ração um suíno consome até 120 kg
Pesquisa da UFMG revela que porcos destinados ao abate ingerem entre 260 e 280 kg de alimento

Um suíno que chega ao abate com 120 kg de peso ingere, em média, entre 260 e 280 kg de ração, aponta estudo recente da Universidade Federal de Minas Gerais.
A pesquisa, conduzida pelo Núcleo de Estudos em Produção de Suínos, analisou o consumo alimentar de raças comerciais a partir do desmame. O período que vai do primeiro desmame, por volta dos 8‑10 dias de vida, até o momento em que o animal atinge o peso de abate, determina a maior parte da ingestão total. Nos primeiros estágios, o filhote recebe ração de alta densidade energética para acelerar o ganho de massa. Conforme envelhece, a dieta passa a incluir maiores quantidades de fibra e proteína, ajustando‑se ao crescimento muscular e ao acúmulo de gordura que caracteriza o animal pronto para o mercado.
Para os criadores, esse volume de alimentação tem impacto direto no custo de produção. Cada quilograma de ração representa um percentual significativo do investimento total, o que faz com que variações nos preços dos ingredientes – milho, soja e suplementos – reflitam imediatamente no preço final da carne suína. Além disso, entender a quantidade exata que um animal precisa ajuda a reduzir desperdícios, melhorar a eficiência alimentar e diminuir a pegada ambiental da granja, já que menos excesso de ração significa menos resíduos e menor emissão de gases de efeito estufa.
"As raças comerciais consomem entre 260 e 280 kg de ração do desmame ao abate", declara o zootecnista Bruno Silva, coordenador do núcleo de estudos. "Essa faixa reflete diferenças genéticas, manejo e formulações de dieta adotadas em diferentes sistemas de produção", acrescenta. Os números foram obtidos a partir de monitoramento de lotes em fazendas modelo, onde o controle de alimentação foi rigoroso e os registros de ganho de peso, diários. A variação de 20 kg entre o limite inferior e o superior está ligada, sobretudo, ao momento em que o animal é desmamado e à densidade calórica da ração oferecida nas primeiras semanas.
O estudo também indica que melhorar a precisão da alimentação pode gerar economias de até 5% nos custos de produção, segundo projeções internas da equipe de pesquisa. Como próximo passo, o grupo planeja testar dietas de baixa proteína combinadas com enzimas que aumentam a digestibilidade, objetivo que pode reduzir ainda mais o consumo total sem comprometer o ganho de peso. Caso os resultados sejam positivos, a recomendação poderá ser incorporada ao guia nacional de boas práticas para suinocultura, influenciando políticas de apoio ao setor e decisões de compra de insumos por parte dos produtores.
Com a demanda por carne suína em alta nos mercados interno e externo, informações detalhadas sobre o consumo de ração ganham relevância estratégica. O acompanhamento contínuo desses indicadores permite que a cadeia produtiva ajuste sua oferta de grãos, otimize a logística de distribuição de alimentos e mantenha a competitividade frente a outras fontes de proteína animal.