PSOL-Rede lança candidatos para eleições no Tocantins
Partido formaliza chapas para Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa com foco em 2024 — 15 de julho, em Palmas
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O PSOL-Rede oficializou na noite desta segunda-feira (15) as candidaturas para os principais cargos eletivos do Tocantins nas eleições de 2024. A definição das chapas ocorreu em um evento realizado na sede do partido, em Palmas, com a presença de lideranças locais e estaduais. Foram definidos nomes para o Governo do Estado, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, marcando o início de uma campanha que promete disputar espaço em um cenário político tradicionalmente dominado por outras forças.
A solenidade contou com a participação de cerca de 150 militantes e simpatizantes, que acompanharam a apresentação dos candidatos. Entre os nomes lançados, destacam-se figuras históricas do partido no estado, como a professora e ativista social Maria do Rosário, que concorrerá ao Senado, e o advogado e ex-vereador de Palmas, João Paulo Silva, candidato ao Governo do Estado. Na Assembleia Legislativa, o PSOL-Rede aposta em nomes como a enfermeira e sindicalista Carla Mendes, conhecida por sua atuação em defesa dos direitos dos trabalhadores da saúde pública. Para a Câmara Federal, o partido definiu a jornalista e ambientalista Ana Lúcia Costa, que já atuou em projetos de preservação da Amazônia Legal tocantinense.
A estratégia do partido passa por uma campanha que busca aproximar suas propostas das demandas cotidianas dos tocantinenses. Em um estado onde a economia depende fortemente da agropecuária e do setor de serviços, o PSOL-Rede promete discutir pautas como a reforma agrária, a valorização dos servidores públicos e a ampliação de políticas sociais. Em Palmas, por exemplo, a candidata ao Governo do Estado, João Paulo Silva, já anunciou que um dos eixos de sua campanha será a fiscalização dos contratos de concessão de serviços públicos, como o transporte coletivo, que enfrenta críticas frequentes da população.
A definição das candidaturas ocorre em um momento em que o Tocantins vive um ano de eleições municipais e estaduais, com disputas acirradas em várias regiões. Em Araguaína, por exemplo, a candidata ao Senado, Maria do Rosário, já tem agenda marcada para visitar bairros periféricos, onde promete discutir a falta de políticas públicas para a juventude. No interior, como em Gurupi e Porto Nacional, o partido busca consolidar sua presença, ainda incipiente, mas com potencial de crescimento em municípios onde o debate sobre direitos sociais tem ganhado força.
Para o coordenador estadual do PSOL-Rede, o advogado Tiago Rodrigues, a oficialização das candidaturas é um passo importante para ampliar a representatividade do partido no estado. "O Tocantins precisa de novas vozes que defendam os interesses da maioria da população, não apenas dos grandes grupos econômicos", afirmou Rodrigues. Ele destacou que a campanha será pautada pela transparência e pela defesa de políticas públicas que atendam às necessidades dos trabalhadores, dos estudantes e das comunidades tradicionais.
A Assembleia Legislativa do Tocantins, por sua vez, terá cinco candidatos do PSOL-Rede disputando as oito vagas em jogo. Entre eles, a professora universitária e doutora em Educação, Fernanda Oliveira, que promete focar em projetos para melhorar a qualidade do ensino público no estado. "Nós vamos cobrar do governo estadual mais investimentos em escolas e na formação dos professores, porque Palmas e o Tocantins não podem ficar para trás nesse quesito", declarou Oliveira.
Já na Câmara Federal, o partido aposta na candidatura de Ana Lúcia Costa, que tem trajetória ligada à defesa do meio ambiente. Em sua plataforma, ela promete atuar pela criação de reservas extrativistas no Tocantins e pela fiscalização rigorosa de crimes ambientais, como o desmatamento ilegal, que tem crescido em regiões como o Bico do Papagaio. "O Tocantins precisa ser reconhecido não só pela sua produção agropecuária, mas também pela sua biodiversidade", afirmou a candidata.
A campanha do PSOL-Rede no Tocantins deve ganhar força nos próximos meses, com a realização de atos públicos em várias cidades. Em Palmas, a primeira atividade está prevista para o dia 25 de julho, no Parque Cesamar, onde os candidatos farão um debate sobre as principais pautas do partido. A expectativa é que a presença do partido nas urnas possa surpreender, especialmente em municípios onde o eleitorado jovem tem demonstrado insatisfação com os governos tradicionais.
O partido também anunciou que vai priorizar o uso das redes sociais para alcançar os eleitores, com transmissões ao vivo e interações diretas nas plataformas digitais. "Nós não podemos depender apenas dos meios tradicionais de comunicação. Precisamos estar onde as pessoas estão", afirmou Tiago Rodrigues, reforçando a estratégia de aproximação com o eleitorado digital.
A definição das candidaturas do PSOL-Rede no Tocantins chega em um momento em que o estado enfrenta desafios como a seca prolongada, que afeta a agricultura familiar, e a crise na saúde pública, com filas intermináveis nos hospitais regionais. Para os candidatos, a campanha será uma oportunidade de apresentar alternativas para esses problemas, que impactam diretamente a vida de milhares de tocantinenses.
Os candidatos do PSOL-Rede terão até o dia 15 de agosto para registrar suas candidaturas no Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO). A partir daí, a campanha entrará em uma nova fase, com a definição das estratégias de marketing político e a realização de debates com os demais candidatos. A expectativa é que o partido consiga eleger pelo menos um deputado federal e dois estaduais, números que, se alcançados, representariam um avanço significativo para a legenda no estado.
Para os eleitores tocantinenses, a oficialização das candidaturas do PSOL-Rede é um lembrete de que as eleições de 2024 trarão opções além dos partidos tradicionais. Em um estado onde a política costuma ser dominada por alianças regionais e interesses corporativos, a presença de novas forças pode trazer renovação ao debate público e, quem sabe, mudanças concretas na gestão dos recursos e na qualidade dos serviços oferecidos à população.