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Plataformas de apostas de previsões ganham força entre eleitores brasileiros

Polymarket e Kalshi viralizam nas redes como alternativa às pesquisas, mas especialistas alertam sobre confiabilidade

📝 Redação CCN01 de junho de 2026 às 21:09👁 1 leituras
Plataformas de apostas de previsões ganham força entre eleitores brasileiros

Dois mercados de previsões proibidos no Brasil — Polymarket e Kalshi — viralizaram entre apoiadores da direita brasileira como forma de acompanhar a disputa presidencial, funcionando nas redes sociais como termômetro informal da eleição. O fenômeno revela uma desconfiança crescente em relação às sondagens tradicionais e aponta para um novo tipo de termômetro político que circula na internet.

Essas plataformas funcionam como mercados de apostas onde usuários compram e vendem contratos sobre resultados políticos. Quem acerta na previsão lucra; quem erra, perde o investimento. A lógica por trás delas é simples: se muita gente está apostando em um candidato, a teoria sugere que há otimismo sobre suas chances. Na prática, funciona como um grande palpite coletivo com dinheiro envolvido.

A ascensão dessas plataformas no Brasil não é coincidência. Pesquisas eleitorais tradicionais enfrentam crítica feroz — especialmente no campo político mais à direita — por terem errado em eleições anteriores ou por suspeitas de viés. Isso abriu espaço para que alternativas como Polymarket e Kalshi ganhassem tração. Eleitores frustrados com sondagens convencionais migraram para esses mercados em busca de respostas que consideravam mais "honestas" ou menos manipuláveis.

O problema é que especialistas discordam completamente dessa visão. Segundo análises de pesquisadores, essas plataformas não funcionam como bom termômetro de eleição nem conseguem prever com precisão um resultado. Os números que circulam ali refletem, na verdade, as apostas de um grupo específico de usuários — geralmente pessoas com internet rápida, conhecimento financeiro e poder de compra para investir em contratos. Não representa o eleitorado como um todo.

Além disso, mercados de previsões são suscetíveis a manipulação. Quem tem dinheiro suficiente pode artificialmente inflar as chances de um candidato apostando pesadamente nele, criando a ilusão de que "o mercado" favorece aquele nome. É como colocar muito dinheiro em um jogo e esperar que outros acreditem que você sabe algo que eles não sabem.

O fato de essas plataformas serem proibidas no Brasil adiciona outra camada de complexidade. Brasileiros que querem participar precisam contornar restrições — usando VPNs ou outras ferramentas — para acessar os serviços. Isso limita ainda mais quem pode participar, reduzindo a representatividade dos dados que saem de lá.

O fenômeno tocantinense não é diferente do resto do país. Tocantins, como Estado com forte base de eleitores conservadores, provavelmente acompanha essas tendências da direita brasileira. Leitores da região que confiam mais em mercados de previsões do que em institutos de pesquisa estão usando essas ferramentas para tentar entender o cenário político nacional — mesmo que de forma distorcida.

O risco real aqui é a propagação de uma ilusão. Se muita gente passa a acreditar que Polymarket e Kalshi representam a vontade real do Brasil, cria-se uma bolha de percepção descolada da realidade. Eleitores podem tomar decisões baseadas em números que não refletem nada além das apostas de um grupo minoritário. E isso pode gerar frustração quando a realidade das urnas contradiz o que esses mercados apontavam.

O que acontece agora é uma disputa por credibilidade. De um lado, pesquisas eleitorais tradicionais enfrentam desconfiança. Do outro, mercados de previsões ganham adesão apesar de suas limitações conhecidas. No meio, o eleitor busca a melhor forma de entender para quem o país deve ir — e encontra opções problemáticas dos dois lados.