Morte de jovem em presídio de Palmas vira caso de polícia
Briner, 22 anos, morreu na Unidade Penal de Palmas horas após ser absolvido; equipe médica é investigada
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A morte de Briner, um jovem de 22 anos, dentro da Unidade Penal de Palmas na manhã do dia em que seria libertado após uma decisão judicial chocou a cidade. O caso, que já mobiliza familiares e defensores de direitos humanos, agora ganha contornos ainda mais graves: profissionais de saúde da unidade estão sendo investigados pela Polícia Civil do Tocantins. A suspeita é de que a conduta deles possa ter contribuído para o desfecho fatal.
Briner foi absolvido em processo judicial na tarde do dia anterior, mas não chegou a ser solto. Segundo informações obtidas pela reportagem, ele permaneceu detido na Unidade Penal — local que, teoricamente, deveria garantir sua integridade física até a efetiva soltura. No entanto, na manhã seguinte, foi encontrado sem vida em uma das celas. A notícia se espalhou rapidamente entre advogados, ativistas e moradores da capital, que passaram a questionar as condições de custódia e o atendimento médico prestado aos detentos.
A Polícia Civil confirmou que abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte. A investigação, conduzida pela Delegacia de Homicídios de Palmas, já ouviu testemunhas e analisa registros internos da unidade prisional. O delegado responsável pelo caso, que preferiu não ser identificado, afirmou que a equipe médica da prisão será ouvida nos próximos dias. "Estamos verificando se houve negligência ou omissão no atendimento ao detento", declarou o investigador, sem entrar em detalhes sobre possíveis irregularidades.
O caso levanta dúvidas sobre o funcionamento da Unidade Penal de Palmas, que já enfrentou críticas anteriores por superlotação e falta de estrutura. Em 2023, o Ministério Público do Tocantins recomendou melhorias no sistema carcerário local após denúncias de maus-tratos e condições insalubres. Agora, a morte de Briner reacende o debate sobre a saúde dos presos e a responsabilidade dos agentes públicos envolvidos.
Familiares do jovem, que não quiseram ser identificados, afirmam que ele não apresentava problemas de saúde graves antes da prisão. "Ele saiu de casa bem, não tinha histórico de doenças. O que aconteceu lá dentro a gente ainda não sabe", contou um parente, que acompanhou o processo judicial. A Defensoria Pública do Tocantins já foi acionada e deve entrar com pedido de apuração externa para garantir transparência no caso.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-TO) informou que a Unidade Penal está sob fiscalização constante, mas não comentou o andamento da investigação ou possíveis falhas no atendimento médico. A pasta limitou-se a dizer que "todas as providências serão tomadas conforme os resultados da apuração".
Enquanto a polícia avança nas investigações, a sociedade palmense se pergunta como um homem absolvido — e, portanto, teoricamente livre — pode ter morrido dentro de uma prisão. O caso deve gerar cobranças por mudanças no sistema carcerário e, possivelmente, novas cobranças ao governo estadual, que já enfrenta pressão por melhorias na segurança pública e na saúde dos detentos.
A próxima audiência da investigação está marcada para daqui a dez dias, quando a polícia deve ouvir os profissionais de saúde suspeitos. Até lá, a expectativa é que mais detalhes surjam — ou que novas perguntas sejam feitas.