Greve de professores em Arapoema chega ao fim e aulas voltam amanhã
Sindicato fechou acordo com prefeitura para reposição de aulas sem corte de ponto nesta quarta-feira 17

A rede municipal de ensino de Arapoema respira aliviada. Depois de uma semana de paralisação que deixou pais, alunos e professores em alerta, a greve dos docentes foi encerrada ontem à noite. A decisão veio após uma reunião tensa entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Tocantins (Sintet) e a gestão municipal, selando um acordo que garante a reposição das aulas sem prejuízo salarial para os professores.
A paralisação começou na segunda-feira (15) com a justificativa de que os professores não haviam recebido os salários do mês anterior. A falta de pagamento, segundo relatos de servidores, já vinha se arrastando há pelo menos dois meses, o que levou a categoria a cruzar os braços como forma de pressão. A situação se agravou quando a prefeitura de Arapoema, comandada pelo prefeito José Wilson de Oliveira, não apresentou uma solução imediata, forçando os professores a tomar medidas mais radicais. A greve não afetou apenas as salas de aula, mas também colocou em xeque a rotina de centenas de famílias que dependem do funcionamento das escolas para manter seus filhos estudando.
O acordo fechado ontem à noite foi possível graças a uma proposta apresentada pelo Sintet, que previa a reposição das aulas perdidas sem a aplicação de cortes nos salários dos professores. A gestão municipal, representada pela secretária de Educação, Maria Aparecida Silva, aceitou a proposta após horas de negociação. "Nós entendemos a situação difícil que os professores estão passando e não queríamos prejudicar ainda mais as famílias", declarou a secretária. O Sintet, por sua vez, comemorou o desfecho, mas deixou claro que a luta não terminou. "Esse acordo é um alívio, mas a gente sabe que a saúde financeira do município precisa ser revista. Vamos continuar fiscalizando", afirmou o presidente do sindicato, João Batista dos Santos.
Para os moradores de Arapoema, a notícia chega em boa hora. A cidade, localizada a cerca de 200 quilômetros de Palmas, tem uma população de aproximadamente 7 mil habitantes e depende fortemente dos serviços públicos, especialmente da educação. Muitas famílias contam com as escolas municipais para o cuidado diário dos filhos, já que a maioria dos pais trabalha no comércio local ou em fazendas da região. A paralisação já havia começado a gerar transtornos, com pais tendo que buscar alternativas para deixar os filhos em casa ou improvisar horários de trabalho.
A retomada das aulas está prevista para esta quinta-feira (18), mas a situação ainda exige atenção. A prefeitura de Arapoema não detalhou como será feita a reposição das aulas perdidas, o que deixa algumas famílias preocupadas com a possibilidade de a carga horária ser reduzida ou de os conteúdos ficarem prejudicados. "A gente espera que a escola não atropele as matérias, porque os alunos já estão atrasados", comentou uma moradora do bairro Centro, que preferiu não se identificar. A secretária Maria Aparecida garantiu que a reposição será feita de forma organizada, mas não adiantou prazos.
O caso de Arapoema não é isolado no Tocantins. Nos últimos meses, várias cidades do estado enfrentaram greves de professores motivadas por atrasos salariais e condições precárias de trabalho. Em Gurupi, por exemplo, uma paralisação semelhante durou quase três semanas no início do ano, enquanto em Porto Nacional, os professores também protestaram contra a falta de pagamento. A situação reflete um cenário mais amplo de dificuldades financeiras enfrentadas por muitos municípios tocantinenses, que dependem fortemente de repasses federais e estaduais.
Agora, o foco volta-se para a prefeitura de Arapoema. A gestão municipal terá que lidar não apenas com a reposição das aulas, mas também com a transparência em relação às finanças. O Sintet já anunciou que vai acompanhar de perto o cumprimento do acordo e, se necessário, voltar às ruas. Enquanto isso, as famílias de Arapoema torcem para que a normalidade retorne às escolas o mais rápido possível, sem novos transtornos.
A reportagem tentou contato com o prefeito José Wilson de Oliveira para comentar o acordo, mas a assessoria de imprensa não retornou até o fechamento desta edição. O Sintet, por sua vez, informou que vai divulgar um comunicado oficial nos próximos dias com mais detalhes sobre os próximos passos da categoria.