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Citricultores de SP correm contra o tempo para enviar laudos

Produtores de laranja e limão têm até 15 de julho para apresentar relatório sobre doenças nos pomares à Defesa Agropecuária de São Paulo

📝 Redação CCN17 de junho de 2026 às 10:07👁 1 leituras
Citricultores de SP correm contra o tempo para enviar laudos

Os citricultores de São Paulo estão com o prazo apertado para regularizar a documentação de seus pomares. Até 15 de julho, todos os produtores de laranja, limão e outras frutas cítricas do estado precisam enviar à Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) o relatório semestral sobre duas doenças que ameaçam as lavouras: o Cancro Cítrico e o Greening. O documento deve detalhar as inspeções realizadas entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026, um período que já começou a ser monitorado pelos técnicos.

A exigência não é novidade para quem vive do cultivo de citros em São Paulo. Desde que o Greening — também chamado de Huanglongbing (HLB) — se espalhou pelos pomares paulistas há mais de dez anos, os órgãos de fiscalização aumentaram os controles. O Cancro Cítrico, embora menos agressivo, também exige atenção constante, pois pode reduzir a produtividade e a qualidade dos frutos. Em São Paulo, maior produtor nacional de laranja, a pressão é ainda maior: qualquer foco não controlado pode comprometer não só os pomares locais, mas também as exportações e o abastecimento interno. A Defesa Agropecuária já havia estabelecido prazos semelhantes em anos anteriores, mas a fiscalização deve ser ainda mais rigorosa neste ciclo.

Para os produtores tocantinenses, a notícia serve como um alerta. Embora o Tocantins não seja um grande produtor de citros como São Paulo, a proximidade geográfica e a circulação de produtos entre os estados exigem atenção redobrada. O coordenador de Defesa Agropecuária do Tocantins, José Carlos Oliveira, lembra que doenças como o Greening já foram detectadas em pomares de outras regiões do Brasil, o que reforça a necessidade de prevenção. "Aqui no Tocantins, nós monitoramos constantemente os pomares de citros, especialmente nas regiões de Gurupi e Porto Nacional, onde a cultura tem ganhado espaço. Qualquer caso suspeito é imediatamente notificado e as medidas de contenção são aplicadas", explica Oliveira.

A Secretaria de Estado da Agricultura do Tocantins (Seagro) mantém um programa de vigilância permanente para evitar a entrada de pragas e doenças que possam afetar a produção local. Segundo dados da Seagro, o Tocantins produziu cerca de 12 mil toneladas de laranja em 2023, com destaque para os municípios de Formoso do Araguaia e Dueré. Embora a produção seja modesta em comparação a São Paulo, a saúde dos pomares é fundamental para garantir a segurança alimentar e a economia regional.

Os produtores de citros em São Paulo já estão se mobilizando para cumprir o prazo. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) orientou os associados a apresentarem os relatórios dentro do período estabelecido, evitando multas e restrições. "O Greening é uma ameaça constante, e o controle depende de ações coordenadas entre produtores e órgãos de fiscalização. Qualquer descuido pode resultar em prejuízos irreparáveis", alerta o engenheiro agrônomo da FAESP, Marcos Antônio Silva.

No Tocantins, a Seagro já iniciou uma campanha de conscientização junto aos citricultores para reforçar a importância da inspeção periódica e da notificação imediata de qualquer sintoma suspeito. A orientação é que os produtores mantenham registros atualizados e sigam as recomendações técnicas para evitar a disseminação de doenças. "A prevenção é a melhor ferramenta que temos. Não podemos esperar que um problema chegue aqui para agir", destaca a coordenadora de Sanidade Vegetal da Seagro, Ana Paula Mendes.

O prazo de 15 de julho é uma data limite, mas a fiscalização não para por aí. A Defesa Agropecuária de São Paulo já anunciou que, após o envio dos relatórios, técnicos farão vistorias presenciais em pomares suspeitos. No Tocantins, a Seagro também intensificou as fiscalizações em pontos estratégicos, como postos de fiscalização na BR-153 e na TO-050, onde circulam produtos agrícolas entre os estados. "Nossa equipe está preparada para agir rapidamente caso seja identificado algum risco", garante Oliveira.

Para os citricultores tocantinenses, a lição é clara: a saúde dos pomares depende de ações preventivas e do cumprimento das normas. Enquanto São Paulo corre contra o tempo para evitar prejuízos, o Tocantins reforça suas barreiras sanitárias para proteger sua produção. A batalha contra as doenças nos citros é contínua, e quem não se antecipar pode pagar um preço alto.