Procon flagra 17 mil itens vencidos em supermercados do Tocantins
Fiscalização do órgão estadual retirou de circulação produtos impróprios para consumo em 35 cidades tocantinenses entre janeiro e junho

O Procon do Tocantins recolheu 17 mil unidades de produtos impróprios para consumo em supermercados de 35 municípios do estado entre janeiro e junho deste ano. A ação, que envolveu desde alimentos básicos até itens de higiene, foi realizada em parceria com a Vigilância Sanitária e atingiu estabelecimentos em cidades como Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e até mesmo na capital, Palmas.
A fiscalização começou após denúncias de consumidores e rotinas de monitoramento do próprio órgão. Segundo o superintendente do Procon-TO, Cleber Toledo, os produtos recolhidos apresentavam problemas como validade vencida, embalagens danificadas ou armazenamento inadequado. "A gente identificou desde leites azedos até fraldas com prazo de validade expirado", afirmou o superintendente. Entre os itens mais comuns estavam laticínios, enlatados e produtos de limpeza, mas também foram encontrados medicamentos vencidos em algumas unidades.
Os estabelecimentos flagrados receberam notificações e tiveram que recolher os produtos do mercado. Em casos mais graves, como reincidência ou recusa em colaborar, o Procon aplicou multas que podem chegar a R$ 10 milhões, dependendo da gravidade da irregularidade. "Não é só uma questão de prejuízo financeiro para o consumidor, mas de saúde pública", alertou Toledo. Ele lembrou que, em 2023, o órgão já havia retirado de circulação mais de 20 mil unidades de produtos impróprios no estado.
Para quem vive em cidades como Paraíso do Tocantins ou Miracema, onde a fiscalização também atuou, a notícia reforça a importância de verificar sempre a data de validade antes de comprar. Em Palmas, bairros como o Centro e o Taquaralto concentram grande número de supermercados, o que torna a fiscalização ainda mais necessária. "O consumidor precisa ficar atento, principalmente em épocas de promoção, quando os produtos podem estar próximos do vencimento", orientou Toledo.
A Vigilância Sanitária estadual, que participou das ações, destacou que o problema não se restringe a supermercados de pequeno porte. "Inclusive grandes redes foram fiscalizadas e tiveram produtos recolhidos", afirmou um técnico da vigilância, que pediu anonimato. Segundo ele, a parceria entre os órgãos é fundamental para garantir que os produtos cheguem ao consumidor em condições adequadas.
O Procon informou que as fiscalizações continuarão até o final do ano, com foco em regiões onde as denúncias são mais frequentes. "A gente não para. Se o consumidor desconfiar de algo, pode denunciar pelo 0800 do Procon ou pelo aplicativo do órgão", reforçou Cleber Toledo. Em 2024, o órgão já recebeu mais de 500 reclamações relacionadas a produtos vencidos ou impróprios no Tocantins.
Para o setor de supermercados, a notícia traz um alerta sobre a necessidade de treinamento de funcionários e controle rigoroso de estoque. Em nota, a Associação Tocantinense de Supermercados (Ats) afirmou que apoia as fiscalizações, mas pediu que os órgãos considerem a logística de distribuição em cidades do interior, onde o acesso a novos produtos pode ser mais lento. "A gente entende a importância da fiscalização, mas é preciso levar em conta as realidades locais", declarou um representante da entidade.
O caso também levanta discussões sobre a fiscalização em feiras livres e mercados informais, onde a fiscalização costuma ser mais difícil. Em Araguaína, por exemplo, feirantes relataram que já tiveram produtos apreendidos por falta de documentação ou validade vencida. "A gente tenta se adequar, mas muitas vezes a burocracia atrapalha", contou um feirante que preferiu não se identificar.
Enquanto isso, o Procon segue com as investigações e promete divulgar um balanço completo das ações até dezembro. Para os consumidores, a dica é simples: sempre conferir a data de validade e, em caso de dúvida, denunciar. "A saúde não tem preço", resumiu Toledo.