Milho lidera segunda safra no Tocantins com 140,5 milhões de toneladas
Produção estadual soma três safras anuais; cultura é base para pecuária e indústria local 2024

O milho consolidou-se como a principal cultura da segunda safra no Tocantins, com uma produção estimada em 140,5 milhões de toneladas ao longo de 2024. A safra total — que inclui as três colheitas anuais — coloca o estado entre os maiores produtores nacionais do grão, atrás apenas de Mato Grosso e Paraná. Em Palmas, a notícia chega em um momento em que a Secretaria da Agricultura do Tocantins (Seagro) prepara o lançamento de um novo programa de incentivo à irrigação, previsto para agosto.
A liderança do milho na segunda safra não é novidade para os produtores tocantinenses. Nos últimos cinco anos, a cultura ganhou espaço em municípios como Gurupi, Porto Nacional e Formoso do Araguaia, onde a topografia plana e o clima favorável permitiram o aumento da área plantada. Em 2023, o Tocantins colheu 3,2 milhões de hectares de milho, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para este ano, a expectativa é de crescimento de 5% na área cultivada, impulsionada pela demanda da indústria de ração animal e pela exportação.
O impacto da safra vai além dos números. Em Araguaína, maior polo de produção de suínos do estado, a queda nos preços do milho nos últimos meses já começa a ser sentida. "Os criadores estão aproveitando a safade para renovar os estoques com preços mais baixos", explica o engenheiro agrônomo Marcos Silva, que atua na região. Em Gurupi, a Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Cootrin) anunciou investimentos de R$ 2 milhões em armazenagem, justamente para garantir que a safra não se perca pela falta de estruturas adequadas.
A Seagro, responsável pela política agrícola estadual, já trabalha com a hipótese de que a safra recorde pode pressionar os preços internos. "Vamos monitorar de perto a comercialização para evitar que a oferta excessiva desvalorize o produto", afirmou o secretário da pasta, Thiago Dourado, em entrevista exclusiva. A preocupação não é apenas econômica: em municípios como Dianópolis e Paranã, onde a agricultura familiar ainda depende do milho para subsistência, a volatilidade do mercado pode afetar diretamente o orçamento das famílias.
Para os próximos meses, a expectativa é de que a colheita comece em junho, com pico em julho. A Seagro já sinalizou que deve ampliar os recursos do Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) para proteger os produtores. Enquanto isso, nas feiras livres de Palmas, como a do Mercado Municipal, os consumidores já começam a sentir os reflexos da safra farta: o preço da farinha de milho, base da alimentação local, caiu 8% desde março.
Ainda há desafios. A falta de estradas adequadas em regiões como o Bico do Papagaio atrapalha o escoamento da produção, e a estiagem prolongada em algumas áreas do sul do estado pode reduzir a produtividade em até 15%, segundo estimativas preliminares. Mesmo assim, o milho segue como um dos pilares da economia tocantinense, empregando diretamente mais de 120 mil pessoas no campo.
Os números da Conab mostram que, em 2024, o Tocantins deve responder por 8% da produção nacional de milho, atrás apenas de Mato Grosso (30%) e Paraná (15%). A safra estadual é tão relevante que a Companhia de Armazéns e Silos do Tocantins (Casit) já estuda a construção de dois novos terminais de exportação em Porto Nacional e Araguaína, com previsão de conclusão em 2025. Enquanto isso, os produtores rurais aguardam ansiosos pela colheita — e pelo que ela pode trazer de bom para o bolso e para a mesa dos tocantinenses.