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Plano inédito de alimentação é aprovado em Palmas

Primeiro Plano de Segurança Alimentar e Nutricional da Capital amplia parcerias entre secretarias para garantir acesso à comida de qualidade

📝 Redação CCN27 de agosto de 2026 às 17:21👁 5 leituras
Plano inédito de alimentação é aprovado em Palmas

A Prefeitura de Palmas deu um passo histórico ao aprovar o primeiro Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. O documento, inédito na cidade, foi publicado no Diário Oficial do Município na última sexta-feira e estabelece uma rede de ações integradas entre secretarias para ampliar o acesso da população a uma alimentação adequada e saudável. A iniciativa chega em um momento em que a capital tocantinense enfrenta desafios crescentes na distribuição de alimentos, especialmente em bairros periféricos e comunidades vulneráveis.

O plano não surge do nada. Ele é resultado de meses de trabalho conjunto entre a Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, a Secretaria de Saúde e a Secretaria de Assistência Social. A coordenação ficou a cargo da nutricionista Maria Aparecida Silva, que atua na pasta de Segurança Alimentar. Segundo ela, o documento foi construído para ser mais do que um conjunto de diretrizes: é um roteiro prático para transformar a realidade de quem depende de políticas públicas para se alimentar. "Não adianta termos leis e programas se eles não chegam às pessoas que mais precisam", afirmou a coordenadora, destacando que o plano prevê a ampliação de parcerias com organizações não governamentais e a criação de novos pontos de distribuição de alimentos.

A novidade não é apenas a aprovação do plano, mas o que ele representa para o cotidiano dos moradores de Palmas. Entre as medidas previstas estão a expansão da rede de restaurantes populares, a qualificação de agentes comunitários para identificar casos de insegurança alimentar e a integração de programas como o Bolsa Família com ações locais de distribuição de cestas básicas. Além disso, o plano inclui a realização de diagnósticos periódicos em bairros como o Jardim Aureny III, o Morro do Gavião e o Taquaralto, onde a falta de acesso a alimentos de qualidade é mais evidente.

Outro ponto central é a articulação com o governo estadual. O plano prevê a união de esforços com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Tocantins, que já atua em municípios como Porto Nacional e Gurupi. A ideia é que Palmas se torne um polo de distribuição de alimentos para todo o estado, aproveitando a estrutura logística da capital. "A segurança alimentar não tem fronteiras. Se Palmas resolver esse problema, a solução pode beneficiar outras cidades", explicou um técnico da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, que participou das discussões.

Para quem vive na capital, a expectativa é que as mudanças sejam sentidas rapidamente. A dona de casa Fernanda Oliveira, moradora do Residencial Morada do Sol, conta que já enfrentou dificuldades para alimentar os três filhos com uma renda familiar de dois salários mínimos. "Às vezes, a gente tem que escolher entre pagar a conta de luz ou comprar comida. Qualquer ajuda é bem-vinda", desabafou. O plano prevê, inclusive, a criação de hortas comunitárias em bairros como o Sul, onde a população poderá produzir parte de seus próprios alimentos.

A próxima etapa é a implementação das ações, que deve começar nos próximos 60 dias. A Secretaria de Segurança Alimentar já anunciou a abertura de editais para contratação de profissionais e a aquisição de equipamentos para os restaurantes populares. Além disso, será criado um comitê gestor com representantes das secretarias envolvidas, da sociedade civil e de universidades locais, como a Universidade Federal do Tocantins (UFT), para monitorar os resultados.

O que fica claro é que Palmas não está sozinha nessa jornada. O plano dialoga com políticas nacionais, como o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), mas ganha contornos próprios ao se adaptar às necessidades da cidade. A expectativa é que, em um ano, já seja possível medir os primeiros impactos, especialmente na redução de casos de desnutrição infantil e no aumento do consumo de alimentos in natura pela população de baixa renda.

Ainda há desafios pela frente, como a captação de recursos e a adesão de novos parceiros, mas o primeiro passo foi dado. Palmas agora tem um roteiro para garantir que ninguém passe fome na cidade — pelo menos não por falta de planejamento.