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Imóveis no Brasil ficam mais caros acima da inflação

Preços residenciais voltam a subir em maio, com apartamentos pequenos liderando ganhos no mercado imobiliário

📝 Redação CCN02 de junho de 2026 às 10:29👁 1 leituras
Imóveis no Brasil ficam mais caros acima da inflação

Os preços dos imóveis residenciais no Brasil continuam subindo, mesmo que em ritmo mais lento. O Índice FipeZAP, termômetro mais confiável do mercado imobiliário brasileiro, mostrou avanço de 0,42% em maio. Na comparação com abril, quando o crescimento foi de 0,51%, fica clara a desaceleração — mas o mercado segue aquecido.

Esse movimento ganha relevância quando você olha para o período de 12 meses. Os imóveis residenciais subiram de preço em uma velocidade superior à inflação acumulada no mesmo período. Para quem está tentando comprar, especialmente em mercados como o de Tocantins onde a busca por imóveis tem crescido nos últimos anos, essa realidade marca presença na hora de conversar com o banco ou poupar para a entrada.

Os apartamentos menores — especialmente aqueles com um dormitório — lideraram os ganhos de preço. Esse dado revela algo importante sobre o mercado: a procura por imóveis compactos permanece forte. Geralmente esses apartamentos atraem primeiro compradores, jovens casais e investidores que alugam para estudantes ou profissionais em início de carreira. A demanda mantém firme porque as cidades continuam caras para morar, e unidades menores oferecem a possibilidade de ter patrimônio próprio sem desembolsos tão altos.

Esse padrão de alta em apartamentos pequenos não é novo. Desde que a pandemia mexeu com o mercado imobiliário — em 2020 e 2021 — essas unidades compactas ganharam espaço nas preferências. Home office, isolamento social e a busca por segurança financeira fizeram mais gente decidir comprar. Quando o crédito fica apertado, como tem acontecido com as taxas de juros ainda em patamares elevados, quem procura apartamento de um quarto enxerga ali uma porta de entrada mais viável.

O índice FipeZAP coleta dados de mais de 90% dos anúncios de imóveis no Brasil. Ele acompanha preços oferecidos (não necessariamente fechados), e por isso funciona como bússola do mercado. Quando ele aponta desaceleração mês a mês, como ocorreu em maio, sinais de estabilização começam a aparecer no horizonte. Não significa queda — significa apenas que o ritmo de alta está perdendo velocidade.

A inflação relevante aqui é a inflação geral, medida pelo IPCA ou IPC. Se os imóveis subiram mais do que esses índices em 12 meses, significa que a valorização imobiliária ganhou contra a perda de poder de compra das pessoas. Para donos de imóvel, isso soa positivo. Para quem não tem e quer comprar, significa que o sonho da casa ou apartamento próprio fica mais distante a cada trimestre.

Em Tocantins, onde o mercado imobiliário ainda tem características diferentes dos grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, esse movimento nacional também deixa marcas. Cidades como Palmas têm atração especial de migrantes e investidores. A alta de preços, mesmo que menor que em capitais históricas, influencia o acesso à moradia e concentra oportunidades de compra nas mãos de quem tem maior poder aquisitivo.

Os próximos meses dirão se a desaceleração de maio foi um alerta de mercado chegando ao teto, ou apenas um respiro antes de nova retomada. A taxa de juros ainda determina muito do comportamento dos compradores. Se o Banco Central continuar reduzindo os juros — como sinalizou recentemente — o mercado pode animar novamente. Mais crédito acessível significa mais gente conseguindo financiar. E mais procura tende a empurrar preços para cima outra vez.