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Combustíveis em queda freiam alta do comércio em abril

Vendas recuam em seis dos oito grupos pesquisados pelo IBGE no Tocantins; lubrificantes lideram baixa em Palmas

📝 Redação CCN16 de junho de 2026 às 15:09👁 1 leituras
Combustíveis em queda freiam alta do comércio em abril

O bolso do tocantinense sentiu o alívio em abril. Depois de três meses seguidos de alta, as vendas do comércio local recuaram, puxadas pela queda nos preços dos combustíveis. Segundo dados do IBGE, seis dos oito grupos pesquisados registraram queda nas vendas entre março e abril, com destaque para o segmento de lubrificantes, que liderou a baixa.

O recuo não foi isolado. Em Palmas, a capital que concentra boa parte do movimento comercial do estado, a redução nos preços da gasolina e do diesel — que vinham pressionando o orçamento das famílias e das empresas — finalmente se refletiu nas prateleiras. Motoristas que haviam adiado a compra de óleo lubrificante ou de combustível nos meses anteriores voltaram a encher os tanques, mas com menos frequência. O resultado foi uma queda de 12,5% nas vendas de lubrificantes na cidade, a maior entre os grupos pesquisados.

Para quem depende do transporte diário, seja para trabalhar ou para levar os filhos à escola, a diferença no bolso já começa a fazer diferença. Em Araguaína, segunda maior cidade do estado, o movimento nos postos de combustível diminuiu, mas ainda assim segue acima do registrado antes da alta dos preços. Já em Gurupi, onde o comércio é mais dependente de caminhoneiros e viajantes, a queda nas vendas de lubrificantes foi de 8,3%, segundo o IBGE. Os números mostram que, embora o alívio seja real, ele ainda não é uniforme em todo o Tocantins.

Os dados do IBGE revelam que, além dos lubrificantes, outros cinco grupos tiveram queda nas vendas: tecidos, vestuário e calçados (-4,2%), móveis e eletrodomésticos (-3,1%), artigos farmacêuticos (-2,8%), equipamentos e materiais para escritório (-1,9%) e livros, jornais e papelaria (-1,5%). Apenas dois segmentos escaparam da baixa: hipermercados e supermercados (+1,2%) e material de construção (+0,7%).

A explicação para o fenômeno está diretamente ligada à variação nos preços dos combustíveis. Em março, a gasolina chegou a R$ 6,20 o litro em Palmas, segundo levantamento da ANP, enquanto o diesel superou R$ 5,80. Em abril, com a queda nos preços internacionais do petróleo e a redução nos impostos estaduais, os valores caíram para R$ 5,70 e R$ 5,30, respectivamente. A diferença, embora pequena em valores absolutos, faz diferença no bolso de quem abastece o carro toda semana.

Para o comerciante, a queda nas vendas é um sinal de alerta. Em uma cidade como Palmas, onde o comércio varejista representa cerca de 20% do PIB local, qualquer recuo afeta diretamente a geração de empregos e a arrecadação municipal. O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Tocantins (Fecomércio-TO), José Wilson da Silva, avalia que o momento exige cautela. "Os empresários estão otimistas com a queda nos combustíveis, mas ainda não é hora de comemorar. Precisamos ver se essa tendência se mantém nos próximos meses", afirmou.

Ainda não há previsão de quando os preços voltarão a subir, mas o governo estadual já estuda medidas para manter a estabilidade. A Secretaria da Fazenda do Tocantins informou que monitora diariamente os valores praticados nos postos e estuda a possibilidade de reduzir ainda mais a alíquota do ICMS sobre os combustíveis, caso os preços voltem a subir. A última redução, aplicada em março, já havia gerado uma queda média de 8% nos preços.

Para o consumidor, a notícia é boa, mas passageira. Em Palmas, quem precisava trocar o óleo do carro ou abastecer o veículo já sentiu o alívio. No entanto, a incerteza sobre o futuro dos preços deixa muitos em dúvida. Será que a queda vai durar? Ou será que, assim como em outros anos, os valores voltarão a subir com a chegada do inverno e o aumento da demanda?

O IBGE deve divulgar os dados de maio em junho, e aí será possível saber se a tendência de queda nas vendas se mantém ou se o comércio tocantinense vai voltar a respirar aliviado. Até lá, a palavra de ordem é cautela. Afinal, em um estado onde o transporte é essencial para a economia, qualquer variação nos preços dos combustíveis afeta não só o bolso, mas também o dia a dia de quem vive aqui.