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Milho atinge menor preço do ano em junho de 2026

Cereal renova mínima tanto no mercado físico quanto futuro, pressionado por oferta abundante

📝 Redação CCN04 de junho de 2026 às 17:43👁 2 leituras
Milho atinge menor preço do ano em junho de 2026

O milho chegou ao seu pior preço de 2026 no início de junho. A saca era cotada a R$ 64,50, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), marcando a mínima do ano tanto para quem negocia no mercado físico quanto para quem opera contratos futuros.

Esse valor representa uma queda de 7,1% em relação ao preço que encerrou 2025. Para ter ideia do impacto: quem colheu milho nos últimos meses viu sua receita minguar. Um agricultor que vendesse 100 sacas receberia quase R$ 600 a menos do que receberia ao final do ano anterior.

A pressão sobre os preços não é coincidência. A safra 2025/2026 foi abundante. Produtores em todo o Brasil, especialmente no Tocantins e no Mato Grosso do Sul, colheram volumes recordes. Quando há muito produto à venda e pouca demanda imediata, os preços caem. É a lei básica do mercado: oferta em excesso derruba cotações.

O Tocantins, aliás, é um dos principais produtores do cereal no país. A queda afeta diretamente os agricultores locais, traders e cooperativas que dependem dessa commodity. Uma saca mais barata significa margem reduzida para quem trabalha com a comercialização e armazenamento.

Isso tudo ocorre em um momento em que a demanda interna e externa permanece moderada. Não há pressão de compras grandes o suficiente para absorver toda essa oferta de uma forma que sustente os preços. A indústria de rações, um dos principais consumidores domésticos, também enfrenta desafios econômicos que reduzem sua demanda.

Para os produtores rurais, meses assim são desafiadores. Custos de produção — sementes, fertilizantes, combustível, maquinário — não caem na mesma proporção que o preço do produto final. Alguns agricultores precisam recorrer a financiamentos para cobrir prejuízos. Outros precisam decidir se vale a pena manter operações em larga escala quando a margem fica tão apertada.

Os impactos se ramificam. Armazéns e silos operam com menor lucratividade. Transportadoras veem a demanda por logística agrícola cair. Cidades pequenas dependentes da economia agrícola sentem o arrefecimento econômico local.

O que vem pela frente depende de vários fatores. Se a próxima safra for menor — seja por menos área plantada ou problemas climáticos — os preços podem se recuperar. Se a demanda interna e externa aumentar, especialmente de setores como pecuária e indústria de alimentos, também há possibilidade de recuperação. Mas enquanto isso não acontece, o produtor segue em pressão.

Essa renovação de mínima em junho sinaliza um momento delicado para a cadeia do milho. Não é crise aguda, mas é desconforto prolongado. O agricultor segue plantando e colhendo porque não há alternativa, mas com rentabilidade enxuta. Esse é o retrato do mercado de commodities: períodos de abundância e preços deprimidos alternam com escassez e cotações altas. Neste semestre de 2026, o milho está claramente no primeiro cenário.