Pecuaristas do Tocantins ganham mais 60 dias para acertar cadastro
Secretaria de Agricultura prorroga prazo para declaração de rebanhos até 31 de outubro. Produtores de Araguaína, Gurupi e Palmas já se mobilizam
O prazo para os pecuaristas do Tocantins regularizarem as informações de seus rebanhos foi estendido pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro). Agora, os produtores rurais têm até o dia 31 de outubro para enviar os dados ao Sistema de Informações Pecuárias (SIP), antes que as pendências possam gerar multas ou restrições em serviços essenciais.
A decisão atende a pedidos de associações de criadores e cooperativas, que alegaram dificuldades na coleta de dados durante o período de chuvas e colheita, além de problemas logísticos em regiões como o Bico do Papagaio e o Jalapão. Em Araguaína, um dos principais polos pecuários do estado, os produtores já haviam começado a organizar mutirões para agilizar os cadastros, mas agora terão mais tempo para evitar transtornos. Em Gurupi, na região sul, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet) confirmou que a prorrogação foi bem recebida, especialmente entre os pequenos e médios criadores.
Para quem mora em Palmas ou nas cidades do entorno, a prorrogação também é uma oportunidade para não deixar pendências que possam atrapalhar a comercialização de animais ou o acesso a linhas de crédito. A Seagro informou que, até o momento, cerca de 60% dos rebanhos tocantinenses já foram declarados, mas a meta é chegar a 90% até o fim do prazo. Quem não cumprir a obrigação poderá enfrentar sanções como a suspensão da emissão de Guias de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para o transporte de gado dentro e fora do estado.
O secretário de Agricultura, Thiago Dourado, destacou que a prorrogação não significa relaxamento. "A declaração é obrigatória e faz parte do controle sanitário do rebanho. Sem esses dados, o estado não consegue monitorar doenças como a febre aftosa ou planejar ações de defesa agropecuária", afirmou. Segundo ele, a fiscalização será intensificada após o novo prazo, com foco nas propriedades que ainda não regularizaram sua situação. A Seagro também informou que disponibilizou canais extras para atendimento, incluindo plantões presenciais em feiras agropecuárias e nas unidades da Emater nas principais cidades.
Os produtores que ainda não começaram o processo devem acessar o site da Seagro ou procurar os escritórios da Emater mais próximos. Em Palmas, a unidade da Emater no setor Taquaralto tem recebido demanda crescente nos últimos dias, com filas de criadores buscando ajuda para preencher os formulários online. Em Miracema do Tocantins, uma das cidades com maior número de propriedades rurais, a prefeitura já anunciou que vai ceder funcionários para auxiliar os produtores na declaração.
A prorrogação não afeta apenas os pecuaristas. O setor de frigoríficos e abatedouros do Tocantins, que depende da regularidade dos cadastros para operar, também sente os reflexos. Em Araguaína, o Frigorífico São José, um dos maiores do estado, já havia alertado seus fornecedores sobre a necessidade de estar em dia com a declaração. "Sem a GTA válida, o produtor não consegue vender o gado, e nós não conseguimos abater. É uma cadeia que depende da burocracia correta", explicou o gerente comercial do frigorífico, Carlos Eduardo Silva.
Para os criadores que ainda não se mexeram, o recado é claro: não adianta esperar até outubro para resolver. A Seagro já avisou que não haverá nova prorrogação, e quem deixar para a última hora pode enfrentar filas longas nos postos de atendimento ou até mesmo perder prazos para outras obrigações, como a vacinação contra aftosa, que começa em novembro. Em Gurupi, o presidente da Associação dos Criadores de Gado de Corte, João Paulo Mendes, resumiu a situação: "Quem não declarar agora, vai pagar multa depois. E ninguém quer isso, né?"
Enquanto isso, a Seagro segue monitorando os números. Até o fim de julho, o estado contava com cerca de 1,8 milhão de cabeças de gado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa é que, com a prorrogação, mais propriedades sejam incluídas no cadastro, fortalecendo o controle sanitário e facilitando o acesso a políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o crédito rural.
A próxima etapa, segundo Dourado, será a análise dos dados declarados para identificar propriedades com rebanhos irregulares ou suspeitas de doenças. "O objetivo não é punir, mas garantir a saúde do rebanho tocantinense", afirmou. Para os produtores, a mensagem é clara: regularizar agora evita dores de cabeça depois.