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Frigoríficos nos EUA enfrentam ciclo crítico da carne bovina

BTG Pactual e Santander reduzem otimismo com setor nos EUA; análise afeta mercado global 2024

📝 Redação CCN15 de julho de 2026 às 13:45👁 6 leituras
Frigoríficos nos EUA enfrentam ciclo crítico da carne bovina

O setor de frigoríficos nos Estados Unidos mergulha em um dos momentos mais difíceis da história recente. Duas das maiores instituições financeiras do mundo, o Santander e o BTG Pactual — este último ligado ao mesmo grupo controlador da revista EXAME —, já sinalizam cautela extrema com o segmento. A mudança de postura não é passageira: reflete um cenário de preços em queda, margens apertadas e incertezas que vão além das fronteiras americanas.

O que está por trás desse ciclo? A combinação de fatores é implacável. Nos últimos meses, os estoques de carne bovina nos EUA atingiram níveis recordes, pressionando os preços para baixo. Ao mesmo tempo, a demanda interna não acompanhou o ritmo, enquanto a exportação enfrenta barreiras como a concorrência de outros produtores globais e restrições sanitárias em mercados-chave. A crise não é isolada: afeta diretamente os frigoríficos, que dependem de margens saudáveis para operar. Com a queda nos preços da carne, a rentabilidade do setor encolhe, e as empresas precisam se reinventar para sobreviver.

A situação é tão grave que até mesmo instituições financeiras tradicionalmente otimistas com o agronegócio americano estão revendo suas projeções. O Santander, um dos maiores bancos do mundo, já reduziu suas estimativas para o setor, enquanto o BTG Pactual, que tem participação relevante no mercado financeiro brasileiro, segue o mesmo caminho. A decisão não é surpreendente: o BTG Pactual é parte do mesmo grupo que controla a EXAME, uma das principais publicações especializadas em economia do Brasil, o que reforça a gravidade do momento.

Para quem vive no Tocantins, a notícia não é apenas um alerta distante. O estado é um dos maiores produtores de carne bovina do Brasil, e o mercado americano é um dos principais destinos da exportação brasileira. Se os frigoríficos nos EUA enfrentam dificuldades, a cadeia produtiva tocantinense sente o reflexo na prática. Os preços da arroba do boi, que já vinham em queda desde o início do ano, podem sofrer nova pressão. Além disso, a redução da demanda americana pode levar a um acúmulo de estoques no Brasil, afetando diretamente os produtores locais.

Os números confirmam a gravidade. Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os estoques de carne bovina nos EUA atingiram 1,3 milhão de toneladas em julho de 2024, um recorde para o período. No Brasil, o preço médio da arroba do boi gordo caiu cerca de 15% nos últimos seis meses, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A combinação desses fatores cria um cenário de incerteza que não pode ser ignorado.

O que vem pela frente? Os frigoríficos americanos já começaram a ajustar suas estratégias. Algumas empresas estão reduzindo a produção para evitar o acúmulo de estoques, enquanto outras buscam novos mercados para escoar a produção. No entanto, a transição não será fácil. A concorrência global é acirrada, e a capacidade de adaptação das empresas será testada nos próximos meses. Para o Brasil, a lição é clara: diversificar os destinos de exportação e investir em qualidade pode ser a chave para minimizar os impactos.

Ainda não há sinais de recuperação imediata. Os analistas do BTG Pactual e do Santander indicam que o setor só deve começar a se estabilizar no segundo semestre de 2025, dependendo de fatores como a recuperação da demanda chinesa e a estabilização dos preços internacionais. Até lá, a cadeia produtiva da carne bovina — tanto nos EUA quanto no Brasil — terá que enfrentar um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos.

O que resta aos produtores e frigoríficos é torcer para que a tempestade passe rápido. Enquanto isso, o mercado global da carne bovina segue em alerta máximo.