Anúncios de bets com Kane e Haaland são banidos no Reino Unido
Regulador britânico veta campanhas de apostas online com jogadores por risco a menores de idade

Dois anúncios de sites de apostas online estrelados por Harry Kane e Erling Haaland foram proibidos no Reino Unido por serem considerados irresponsáveis. A decisão saiu da Advertising Standards Authority (ASA), órgão que fiscaliza a publicidade britânica, que determinou que as campanhas violaram códigos éticos por exporem menores de 18 anos a conteúdo de aposta.
A ASA identificou que ambos os jogadores têm forte apelo junto ao público infantil e adolescente — justamente o público que a regulação britânica protege ao limitar anúncios de bets. Kane, do Tottenham, e Haaland, do Manchester City, são ícones globais do futebol com milhões de seguidores nas redes sociais, muitos deles jovens.
O caso reflete uma discussão que cresce em várias partes do mundo, incluindo no Brasil. Aqui em Tocantins, onde o futebol é paixão nacional, empresas de apostas intensificaram campanhas nos últimos anos, frequentemente usando celebridades para atrair clientes. A situação britânica mostra como reguladores estrangeiros já tomam posições firmes contra práticas que consideram predatórias.
As plataformas de apostas online proliferaram no Reino Unido após a legalização, em 2005. Desde então, o país desenvolveu um sistema regulatório robusto. A ASA trabalha em paralelo com a Gambling Commission, agência específica para jogos de azar, garantindo que anúncios respeitem limites éticos — especialmente quando envolvem celebridades com apelo a crianças.
O código britânico que Kane e Haaland violaram é claro: publicidade de apostas não pode ser dirigida a menores, nem pode conter material que as atraia indiscriminadamente. Usar jogadores famosos em campanhas para plataformas de bets é exatamente isso — uma forma de contornar a restrição ao apelar para a fã base jovem desses atletas.
A decisão da ASA não é apenas simbólica. Ao banir os anúncios, o órgão envia um sinal: marcas que usarem celebridades para promover apostas junto a crianças enfrentarão bloqueio de suas campanhas. Para agências de publicidade e plataformas, significa menos flexibilidade no uso de figuras públicas em campanhas de bets.
Kane e Haaland, por sua vez, agora precisam gerenciar sua reputação. Os dois não criaram os anúncios nem decidiram sobre seu conteúdo — assinaram contratos publicitários como qualquer celebridade faz. Mas o banimento seus nomes à falta de responsabilidade empresarial, algo que atletas de alto perfil querem evitar.
O impacto vai além dos dois jogadores. A indústria de apostas online vê-se pressionada a revisar estratégias de marketing. Plataformas que dependem de celebridades para alcançar públicos jovens precisam agora pensar duas vezes. A mensagem é direta: não há espaço regulatório para explorar menores.
No Brasil, onde a regulação ainda avança aos poucos, casos como esse servem como alerta. Aqui, anúncios de bets com celebridades continuam frequentes, sem restrições claras sobre o apelo a crianças. O país ainda discute uma lei específica sobre publicidade de apostas. O modelo britânico mostra um caminho possível — e uma linha que reguladores costumam respeitar quando há pressão.
A ASA informou que qualquer plataforma que resubmeta anúncios similares enfrentará novo bloqueio. Para Kane, Haaland e futuras celebridades, fica a lição: associar-se a bets carrega riscos reputacionais crescentes em mercados onde a proteção a menores ganha força.