Ponte em Araguaína tem risco de desabar e assusta moradores
Estrutura na zona leste da cidade tem fissuras e moradores temem novo acidente como o de 2022 120 caracteres

Moradores da zona leste de Araguaína vivem apreensão desde que uma ponte sobre o ribeirão Cerradinho apresentou sinais de deterioração. A estrutura, que liga bairros como São João e Vila Couto, tem fissuras visíveis e moradores relatam barulhos estranhos ao passarem por ela. O temor é que o problema se agrave, como aconteceu em 2022 com outra ponte na cidade, que desabou sem aviso prévio.
A ponte, construída há mais de três décadas, é usada diariamente por centenas de pedestres e veículos, incluindo linhas de ônibus municipais. Segundo relatos, as rachaduras começaram a aparecer há cerca de dois meses, mas só agora chamaram a atenção da população. "A gente sente o chão tremer quando passa por cima, parece que vai ceder a qualquer momento", contou um morador que preferiu não se identificar. Ele mora no bairro São João e usa a ponte para ir ao trabalho todos os dias. Outros relatos semelhantes foram ouvidos pela reportagem, que percorreu a região na manhã desta quarta-feira.
O medo não é infundado. Em 2022, uma ponte na zona rural de Araguaína desabou durante uma chuva forte, deixando moradores ilhados e interrompendo o acesso a propriedades rurais. Na ocasião, não houve feridos, mas o acidente expôs a fragilidade de algumas estruturas antigas do município. Agora, a situação se repete, só que em uma área mais movimentada. "Se essa ponte cair, vai isolar meio bairro", alertou uma moradora da Vila Couto, que depende do acesso para chegar ao centro comercial da cidade.
A Prefeitura de Araguaína informou que já foi notificada sobre o problema e que técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura estão avaliando a estrutura. "Estamos verificando a situação e, se necessário, tomaremos as medidas cabíveis", afirmou um técnico da pasta, que não quis se identificar. A pasta não detalhou se há previsão de interdição ou reforço na estrutura. A reportagem tentou contato com a Defesa Civil municipal, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
O caso coloca em xeque não só a segurança dos moradores, mas também a manutenção de obras antigas em Araguaína. A cidade, que cresceu rapidamente nas últimas décadas, tem várias pontes e viadutos construídos há mais de 20 anos, muitos deles sem reformas significativas. A falta de investimentos em infraestrutura é um problema recorrente, especialmente em bairros periféricos, onde a população depende mais de estruturas como essa para se locomover.
Enquanto a prefeitura não se pronuncia com ações concretas, a população segue em alerta. "A gente não pode esperar outra tragédia para agir", desabafou um comerciante da zona leste, que teme prejuízos caso a ponte seja interditada. A situação deve ser discutida nas próximas reuniões da Câmara Municipal, segundo vereadores ouvidos pela reportagem. A expectativa é que, ao menos, seja feita uma vistoria mais detalhada nos próximos dias.
A reportagem procurou a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Transportes do Tocantins para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação. A pasta é responsável por obras em rodovias estaduais, mas também atua em parcerias com municípios para manutenção de pontes e viadutos.
O que se sabe até agora é que a ponte segue em uso, mas com restrições não oficiais. Moradores evitam passar por ela quando possível, especialmente à noite, quando a iluminação é precária. A situação deve se tornar um ponto de pauta nas próximas semanas, seja na esfera municipal ou estadual, diante do risco que representa para a rotina de quem vive na região.
Enquanto isso, a espera por uma solução definitiva continua, enquanto o medo de um novo acidente paira sobre a zona leste de Araguaína.