MP exige regras rígidas para cavalgadas no Tocantins
Ministério Público estadual estabelece cinco medidas obrigatórias para frear poluição sonora e maus-tratos a cavalos durante eventos tradicionais no estado.

O Ministério Público do Tocantins tomou uma posição firme contra os transtornos causados pelas cavalgadas que explodem em popularidade entre os tocantinenses. Com as tradições rurais ganhando cada vez mais adeptos, a instituição se viu obrigada a intervir diante de dois problemas que afetam diretamente a qualidade de vida da população: o barulho ensurdecedor que invade as residências e o tratamento inadequado dos animais durante os percursos.
A movimentação do MP/TO chega em um momento crítico. Enquanto as cavalgadas conquistam entusiastas que celebram as raízes culturais do estado, vizinhos reclamam de madrugadas perturbadas e dias inteiros de incômodo. O órgão preparou um conjunto de cinco exigências principais que devem ser cumpridas por quem organiza esses eventos. A intenção é clara: conciliar a preservação das tradições com o respeito ao sossego público e ao bem-estar animal.
A primeira determinação toca em um ponto sensível: a localização dos trajetos. Os promotores cobram que os organizadores mudem as rotas das cavalgadas para distante das zonas residenciais, em especial nas áreas onde Palmas concentra sua maior densidade populacional. Isso significa afastar os percursos dos bairros centrais e entornos, regiões onde o barulho dos cascos e das vozes reverbera com força nas casas das famílias. Essa mudança de trajeto é vista como fundamental para reduzir a invasão sonora que tem se tornado rotineira.
Além da reposição geográfica, o Ministério Público não quer deixar espaço para negligências. As organizações responsáveis pelas cavalgadas precisam implantar sistemas de controle de ruído durante toda a realização do evento. Ao mesmo tempo, exigem que orientações objetivas sobre o bem-estar dos equinos sejam passadas aos participantes, com ênfase na proibição de qualquer prática agressiva contra os animais. Essas medidas reconhecem que os cavalos, muitas vezes, sofrem com chicotes e maus-tratos durante os trajetos.
Para garantir que tudo saia conforme o prometido, o MP/TO estabelece que a fiscalização da administração pública deve ocorrer antes do evento, durante sua realização e depois de encerrado. Essa vigilância em três momentos busca assegurar que nenhuma regra seja burlada e que as sanções sejam aplicadas aos infratores. Com essas medidas, o Tocantins tenta equilibrar a tradição com a responsabilidade social e ambiental que toda comunidade merece.