Líder da torcida do Galo une política e esporte em protesto
Marcelo Saad afirma que manifestação da Força Atleticana Revolucionária contra Flávio em BH abre as portas para todos os cidadãos

Marcelo Saad, líder da Força Atleticana Revolucionária, deixa claro que a política e o esporte não são mundos separados — e que os protestos organizados pela torcida do Atlético-MG refletem essa conexão. Em Belo Horizonte, a organização planeja uma manifestação contra Flávio, e Saad reforça um ponto importante: o ato não é exclusivo para torcedores do clube mineiro.
A declaração chama atenção porque toca em algo que muita gente no Brasil acaba de perceber nos últimos anos. Torcidas organizadas historicamente se envolvem com futebol, mas cada vez mais elas enxergam o espaço das arquibancadas como plataforma para questões que vão muito além do campo. A Força Atleticana Revolucionária segue essa trilha.
Saad argumenta que quando assuntos políticos tocam a instituição — no caso, o Atlético-MG — ou afetam a cidade, a mobilização transcende quem torce para o clube. É um argumento que ressoa em estados como Tocantins, onde o futebol, apesar de menos expressivo que em Minas ou São Paulo, também funciona como catalisador de identidade coletiva. Aqui no estado, movimentos sociais já usaram estádios e arredores para chamar atenção a causas públicas.
O protesto em Belo Horizonte ocorre em um contexto onde figuras públicas e políticas viraram alvo direto de mobilizações nas ruas. A escolha de usar a força de uma torcida organizada para isso não é casual. Essas organizações possuem capilaridade, comunicação ágil por redes sociais e capacidade de convocação que muitos movimentos políticos tradicionais não têm.
Ao abrir o ato para todos, não apenas torcedores, Saad reconhece uma realidade: as pautas que movem uma torcida hoje raramente se limitam ao futebol. Questões de segurança pública, corrupção, investimento público em infraestrutura — tudo isso afeta tanto quem vai ao estádio quanto quem fica em casa. A Força Atleticana Revolucionária aciona essas conexões.
Esse tipo de movimento gera tensões. Há quem critique a politização das torcidas e veja risco de instrumentalização da paixão pelo futebol. Outros argumentam que as torcidas sempre foram políticas — a história do esporte no Brasil está repleta de momentos onde torcedores foram à rua por razões que transcendiam o placar.
Para o tocantinense comum, o fenômeno oferece uma leitura clara: os espaços tradicionais de mobilização — ruas, praças, assembleias — agora convivem com ativações via torcidas. Seja em Palmas, Araguaína ou Gurupi, quando um assunto mexe com a população, múltiplos caminhos levam as pessoas para a rua. As torcidas são um deles, cada vez mais frequente.
O que Saad deixa implícito é que essa porosidade entre esporte e política não é um desvio, mas uma realidade. Os torcedores são cidadãos. Seus interesses ultrapassam o resultado do jogo. Quando a instituição que representam — ou a cidade — enfrenta crises, eles sentem na pele.
Os desdobramentos imediatos passam pelo protesto em si: quantas pessoas comparecem, qual a repercussão nas redes sociais, se há resposta das autoridades. Mas o impacto de longo prazo é mais profundo. Consolida-se a ideia de que torcidas organizadas são atores políticos relevantes. Governos, políticos locais e nacionais precisam começar a lidar com isso como um dado da realidade, não como exceção.