Governo do Tocantins mira concessões para melhorar rodovias e saúde
Planos incluem PPPs em infraestrutura e saúde com foco em eficiência e redução de custos para o estado 16/05/2024 Tocantins

O governo do Tocantins anunciou nesta semana que vai abrir espaço para concessões e parcerias público-privadas (PPPs) em rodovias, saúde e infraestrutura. A medida, ainda em fase de planejamento, busca atrair investimentos privados para áreas que historicamente sofrem com falta de recursos e manutenção no estado.
A proposta foi apresentada durante reuniões internas da gestão estadual, segundo informações obtidas pelo *Jornal Opção*. A ideia é modernizar trechos de rodovias que cortam o Tocantins, como a TO-050 e a TO-080, além de ampliar a oferta de serviços de saúde em regiões com maior demanda. A TO-050, por exemplo, é uma das principais ligações entre Palmas e outras cidades do interior, como Porto Nacional e Paraiso do Tocantins, e enfrenta problemas recorrentes de buracos e sinalização.
A saúde também deve ser afetada pela mudança. O estado planeja estruturar unidades hospitalares e clínicas em municípios como Gurupi e Araguaína, onde a fila por consultas e exames costuma ser longa. A intenção é reduzir a dependência exclusiva de recursos públicos, que muitas vezes não são suficientes para manter a qualidade dos serviços.
Segundo o secretário estadual de Planejamento, Orçamento e Gestão, *Célio Moura*, a medida não significa privatização, mas sim uma forma de dividir responsabilidades. "Não vamos abrir mão do controle sobre os serviços essenciais, mas precisamos de alternativas para garantir que eles cheguem à população com mais agilidade", afirmou. Moura destacou que o modelo de concessão pode trazer inovações, como a manutenção preventiva de estradas, que hoje só é feita após danos graves.
Para a população, a expectativa é de que as PPPs possam trazer melhorias concretas no dia a dia. Motoristas que trafegam diariamente pela TO-080, por exemplo, já convivem com trechos esburacados que prejudicam o transporte de cargas e passageiros. "Se a manutenção for feita de forma contínua, o custo para o estado e para o usuário pode cair", avalia um motorista de transporte de grãos que atua na região de Gurupi.
Na saúde, a proposta pode significar menos espera por exames e consultas. Em Araguaína, a fila para uma ressonância magnética pode chegar a seis meses, segundo relatos de pacientes. A gestão estadual espera que, com a entrada de parceiros privados, esses prazos sejam reduzidos. "A gente sabe que o setor público sozinho não dá conta, mas é preciso garantir que a população não seja prejudicada", disse uma enfermeira do Hospital Regional de Araguaína.
O governo ainda não divulgou prazos ou valores estimados para as concessões, mas fontes próximas à Secretaria de Planejamento indicam que os editais devem ser lançados ainda este ano. A expectativa é de que as primeiras obras comecem em 2025, caso não haja atrasos nos trâmites legais.
A discussão sobre PPPs no Tocantins não é nova. Em 2022, o estado já havia estudado a possibilidade de concessionar trechos da BR-153, mas o projeto foi adiado devido a questionamentos sobre viabilidade econômica. Agora, com a crise fiscal que afeta estados e municípios, a pressão por soluções rápidas deve acelerar o processo.
O que muda para quem vive no Tocantins? Se as PPPs forem bem-sucedidas, a população pode esperar estradas mais seguras e serviços de saúde mais ágeis. Mas o sucesso depende de como o governo vai fiscalizar os contratos e garantir que os parceiros privados não priorizem apenas o lucro. "O desafio é equilibrar interesse público e privado", resumiu um analista de políticas públicas ouvido pela reportagem.
Enquanto os detalhes não são fechados, a população segue acompanhando os anúncios. Em Palmas, onde fica a sede do governo, moradores já debatem nas redes sociais se as mudanças trarão melhorias reais ou apenas mais burocracia. O tempo dirá se as concessões serão a solução que o Tocantins espera.