PF mira esquema de emendas via PIX no Tocantins
Operação cumpre 41 mandados em seis cidades tocantinenses incluindo Palmas
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A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira uma megaoperação contra um esquema de desvios de recursos públicos via transferências por PIX, envolvendo emendas parlamentares. Ao todo, 41 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em seis cidades do Tocantins, incluindo a capital Palmas, onde a investigação aponta indícios de irregularidades em contratos firmados com recursos federais.
A ação, batizada de "Operação Pixão", tem como alvo principais servidores públicos, empresários e políticos suspeitos de desviar dinheiro de emendas impositivas — aquelas que os parlamentares são obrigados a destinar a projetos de interesse público. Segundo informações preliminares, os recursos eram repassados via PIX para contas de empresas fantasmas ou laranjas, que simulavam serviços ou obras nunca executadas. Em Palmas, os mandados foram cumpridos em bairros como Centro, Sul e Taquaralto, áreas com forte presença de órgãos públicos e empresas prestadoras de serviços ao governo.
O inquérito que resultou na operação teve início após denúncias anônimas e cruzamento de dados da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), que identificaram padrões suspeitos em licitações e pagamentos feitos entre 2020 e 2023. Entre os alvos estão funcionários da Secretaria de Estado da Fazenda, da Prefeitura de Palmas e até mesmo assessores de gabinetes parlamentares. A Polícia Federal não descarta que mais nomes surjam durante as investigações, já que os mandados incluem buscas em empresas de contabilidade e escritórios de advocacia que podem ter atuado como facilitadores.
Para quem vive em Palmas e no interior do Tocantins, o caso reacende a discussão sobre a transparência na aplicação de recursos federais, especialmente em um estado onde obras e serviços públicos dependem diretamente dessas emendas. Em 2023, o Tocantins recebeu mais de R$ 1,2 bilhão em emendas parlamentares, segundo dados do Portal da Transparência. Parte desse montante é destinada a áreas como saúde, educação e infraestrutura, setores que sofrem com filas de espera e falta de investimentos crônicos. A operação chega em um momento em que a população cobra mais fiscalização, após casos recentes de superfaturamento em obras de creches e postos de saúde em municípios como Gurupi e Porto Nacional.
Os mandados foram cumpridos em Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Miracema do Tocantins e Paraíso do Tocantins. A Polícia Federal confirmou que os alvos incluem não apenas quem teria recebido o dinheiro, mas também quem teria facilitado as transferências irregulares. Entre os documentos apreendidos estão extratos bancários, contratos e comunicações via aplicativos de mensagem, que serão analisados pela equipe de investigadores. A operação conta com o apoio da Receita Federal, que deve verificar a origem e o destino dos recursos movimentados.
O delegado responsável pela operação, que pediu para não ser identificado, afirmou que as investigações ainda estão em fase inicial e que novos desdobramentos devem ocorrer nos próximos dias. "Não podemos adiantar nomes ou valores, mas estamos diante de um esquema que pode ter desviado milhões de reais de recursos que deveriam ser usados pela população", declarou. A Polícia Federal também informou que, até o momento, não há previsão de prisões preventivas, mas que as buscas podem levar a novas delações ou indiciamentos.
A operação ocorre em um contexto de crescente pressão sobre os gastos públicos no Tocantins. No início do ano, o governador Wanderlei Barbosa (PSD) anunciou um pacote de austeridade para conter o déficit fiscal, que inclui revisão de contratos e cortes em áreas não essenciais. A notícia da operação deve reforçar os apelos por mais controle nos repasses federais, especialmente em um ano eleitoral, quando as emendas costumam ser usadas como moeda de troca política. Em 2022, o Tocantins foi um dos estados com maior número de denúncias de irregularidades em emendas, segundo levantamento da CGU.
A Polícia Federal deve apresentar um relatório preliminar nos próximos 30 dias, com os primeiros resultados das buscas. Enquanto isso, a população tocantinense acompanha com atenção, já que o caso pode afetar diretamente a execução de obras e serviços essenciais. Em Palmas, moradores de bairros como Taquaralto e Sul, onde foram cumpridos mandados, relatam surpresa com a operação. "A gente sempre desconfia, mas ver isso acontecendo de verdade assusta", comentou um comerciante da região, que pediu para não ser identificado.
A investigação segue em sigilo, mas a expectativa é de que mais detalhes surjam nos próximos dias, especialmente após a análise dos materiais apreendidos. Enquanto isso, a Polícia Federal reforça que a operação não tem caráter político-partidário e que todos os envolvidos, independentemente de cargo ou filiação, serão investigados com rigor.