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Seca no Tocantins acelera busca por irrigação no campo e na cidade

Produtores rurais e donos de jardins apostam em sistemas de irrigação para driblar a estiagem que castiga o Tocantins desde junho

📝 Redação CCN15 de julho de 2026 às 17:14👁 1 leituras
Seca no Tocantins acelera busca por irrigação no campo e na cidade

A estiagem que já dura três meses no Tocantins não poupou nem os quintais da capital nem as lavouras do interior. Com o solo cada vez mais seco e os reservatórios de água minguando, produtores rurais, donos de chácaras e até moradores de bairros residenciais da Grande Palmas correm para instalar sistemas de irrigação. A busca por equipamentos e serviços especializados disparou desde junho, quando as primeiras pancadas de chuva deram lugar a um calor intenso e à falta de precipitações significativas.

Em Gurupi, segunda maior cidade do estado, o engenheiro agrônomo Marcos Oliveira atendeu 15 pedidos de orçamento em julho — número três vezes maior que o mesmo período do ano passado. "Os produtores de soja e milho estão preocupados com a safra, mas até os criadores de gado estão buscando alternativas para manter as pastagens verdes", conta Oliveira, que trabalha com irrigação há 12 anos. Em Araguaína, no norte do estado, a história se repete. O agricultor João Batista, dono de uma propriedade de 50 hectares na zona rural, instalou um sistema de gotejamento há duas semanas. "Sem irrigação, a mandioca e o feijão não resistem. Perdi metade da plantação na seca do ano passado", lembra ele, enquanto verifica o funcionamento dos emissores de água em sua lavoura.

A situação não é diferente na Região Metropolitana de Palmas. No bairro Taquaralto, zona leste da capital, o paisagista Carlos Silva já não consegue atender à demanda de clientes que querem transformar jardins ressecados em áreas verdes novamente. "As pessoas estão cansadas de ver suas plantas morrerem. Muitos pedem sistemas automáticos para não precisar regar na mão", explica Silva, que há oito anos trabalha com irrigação residencial. No Setor Santa Fé, em Palmas, a dona de casa Fernanda Costa instalou um sistema de irrigação por aspersão no quintal há um mês. "A grama secou toda no ano passado. Este ano, não vou arriscar", diz ela, enquanto mostra as mudas de grama nova que começam a brotar.

Segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins (Faet), as vendas de equipamentos de irrigação cresceram 40% nos últimos dois meses em comparação com 2023. O presidente da entidade, Paulo Carneiro, atribui o aumento à necessidade de garantir produtividade mesmo em períodos de seca. "O Tocantins tem um clima cada vez mais imprevisível. Os produtores estão investindo em tecnologia para não depender apenas da chuva", afirma Carneiro. A Secretaria de Estado da Agricultura (Seagro) também registrou um salto nos pedidos de assistência técnica para implantação de sistemas de irrigação, especialmente nas culturas de arroz, feijão e hortaliças.

A seca não afeta só o campo. Em Palmas, a Companhia de Saneamento do Tocantins (Saneatins) já emitiu alertas sobre o uso racional da água, mas a população busca alternativas para manter áreas verdes. No Parque Cesamar, um dos principais pontos de lazer da capital, os funcionários passaram a usar sistemas de irrigação noturna para evitar desperdícios. "A manutenção das áreas verdes é essencial para a qualidade de vida, mas precisamos equilibrar com a escassez de água", explica a engenheira ambiental da Prefeitura de Palmas, Ana Luiza Mendes.

Para quem ainda não se adaptou, o custo de instalar um sistema de irrigação pode pesar no bolso. Em Gurupi, os valores variam de R$ 3 mil a R$ 15 mil, dependendo da área e do tipo de equipamento. No entanto, produtores como João Batista garantem que o investimento vale a pena. "No ano passado, sem irrigação, perdi R$ 20 mil em produção. Este ano, não posso correr o mesmo risco", diz ele. A Seagro orienta os agricultores a buscar linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para financiar os sistemas, com juros subsidiados e prazos de até oito anos.

A expectativa é que a seca continue pelo menos até outubro, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Enquanto isso, a corrida por irrigação deve se intensificar. Em Araguaína, o sindicato rural já organizou uma feira de equipamentos no próximo mês para atender à demanda crescente. "A seca é um problema sério, mas estamos nos preparando para minimizar os prejuízos", afirma o presidente do sindicato, Antônio Carlos Pereira. No campo ou na cidade, a lição parece clara: quem não se adaptar à nova realidade climática do Tocantins pode pagar um preço alto.

A Seagro informou que mantém equipes técnicas em campo para orientar os produtores sobre as melhores práticas de irrigação, além de monitorar os níveis dos reservatórios. "Nosso papel é ajudar o agricultor a produzir de forma sustentável, mesmo em tempos difíceis", diz a coordenadora de irrigação da secretaria, Márcia Rodrigues. Enquanto a chuva não chega, a irrigação vira a tábua de salvação para quem não quer ver suas plantações e jardins virarem cinza.