Celebridades revelam luta contra surdez e alertam jovens sobre riscos auditivos
Rogério Flausino e Millie Bobby Brown compartilham experiências pessoais enquanto OMS preocupa-se com aumento de casos entre população jovem

A perda auditiva ganhou novo rosto nos últimos tempos. Não é mais um problema exclusivo de idosos ou de trabalhadores expostos a ruídos intensos. Hoje, jovens e até adolescentes enfrentam problemas graves de audição — e celebridades como o ator Rogério Flausino e a atriz Millie Bobby Brown decidiram falar sobre isso publicamente.
O que começou como um assunto discreto virou alerta global. A Organização Mundial da Saúde já tira o sono de especialistas. O motivo? Os hábitos modernos. Fones de ouvido no volume máximo, festas em casas noturnas, uso prolongado de aplicativos de áudio — tudo isso deixa marcas permanentes nos ouvidos de quem deveria estar em sua melhor forma auditiva.
Rogério Flausino, conhecido do público por seu trabalho na televisão brasileira, abriu o jogo sobre sua condição. Ele não é o único. Millie Bobby Brown, atriz americana famosa pela série Stranger Things, também compartilhou sua experiência com a comunidade. Quando celebridades saem do silêncio — literalmente — o assunto muda de tom. Deixa de ser um número em um relatório para virar uma história real, com rosto e nome.
Os números preocupam. Jovens que deveriam ouvir perfeitamente estão procurando aparelhos auditivos. Algumas não recuperarão nunca a audição perdida. O dano às células sensoriais do ouvido interno é irreversível. Uma vez destruídas, aquelas pequenas estruturas responsáveis pela transmissão do som não se regeneram.
O cenário em Tocantins acompanha essa tendência nacional. Cidades como Palmas e Araguaína concentram população jovem exposta aos mesmos riscos de grandes centros urbanos: baladas, shows, estúdios de música. A diferença é que aqui o acesso a diagnósticos e tratamento ainda é limitado. Muitos tocantinenses acabam descobrindo o problema tardiamente.
Os especialistas apontam culpados específicos. Fones de ouvido intrauditivos — aqueles colocados diretamente no canal auditivo — representam risco quando usados em volume acima de 85 decibéis. Estudantes que estudam ouvindo música alta, adolescentes em festas sem proteção, frequentadores de casas noturnas: todos estão na zona de perigo.
A OMS já classificou a situação como preocupante. A organização recomenda que jovens entendam a regra dos 60/60: usar fones de ouvido em no máximo 60% do volume máximo por até 60 minutos diários. Parece simples na teoria. Na prática, quando uma música entra nos ouvidos, ninguém pensa em limites.
O que Rogério Flausino e Millie Bobby Brown tentam transmitir é justamente isso: o problema é real, atinge pessoas de sucesso, celebridades que ganham a vida com a voz e a presença. Se acontece com quem tem recursos para o melhor tratamento, imagine com quem não tem.
As consequências vão além da dificuldade de ouvir. Isolamento social, depressão, problemas no desempenho escolar e profissional. Uma pessoa jovem com perda auditiva significativa pode ver sua vida mudar completamente. Relacionamentos sofrem. A autoestima cai. O mercado de trabalho fica mais competitivo.
Por enquanto, o alerta das celebridades ecoa. Esperamos que entre em alguns ouvidos — ainda que saudáveis — a tempo de preservar a audição para o futuro. Porque diferente de outras coisas na vida, uma vez perdida, a capacidade de ouvir não volta mais.