Pequi vira moeda em cidade do Tocantins e aquece economia local
Comércio de Brejinho de Nazaré lança moeda própria para fortalecer rede de moradores e produtores; iniciativa começa a circular ainda este mês

A prefeitura de Brejinho de Nazaré, a 120 km de Porto Nacional, colocou em circulação uma moeda própria para movimentar a economia local. A partir de agora, moradores, comerciantes, produtores rurais e prestadores de serviços que aderirem à rede poderão usar o “pequi” — nome inspirado no fruto típico da região — em transações entre si. A novidade começa a circular ainda este mês, segundo a administração municipal.
A ideia surgiu para driblar a falta de dinheiro em circulação na cidade, que tem cerca de 5 mil habitantes. Com a moeda local, a prefeitura espera estimular o comércio interno, reduzir a dependência de recursos externos e valorizar a produção regional. O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal no último mês e já conta com adesão de mais de 30 estabelecimentos, incluindo padarias, mercearias e oficinas. O pequi não será aceito em grandes redes ou em compras fora da cidade, mas poderá ser trocado por reais em pontos específicos, como a secretaria de Fazenda local.
Para quem vive em Brejinho de Nazaré, a novidade pode fazer diferença no bolso. Um comerciante da cidade, que pediu para não ser identificado, contou que já usa a moeda em negociações com outros produtores. “A gente vende farinha, queijo e ovos por pequi e depois troca por reais quando precisa comprar insumos ou pagar contas. Assim, o dinheiro circula aqui mesmo e ajuda todo mundo”, explicou. A prefeitura ainda não divulgou a quantidade de moedas que serão emitidas, mas garantiu que haverá controle para evitar inflação local.
A iniciativa segue um modelo já testado em outras cidades brasileiras, como Maricá (RJ), que adotou o “mumbuca” há anos. Em Brejinho de Nazaré, no entanto, a moeda ganhou um toque regional: além de circular entre moradores, ela poderá ser usada para pagar parte de impostos municipais, como IPTU e taxas de serviços. O secretário de Fazenda da cidade, que preferiu não se identificar, afirmou que o projeto é uma forma de incentivar a economia circular. “Queremos que o pequi se torne um símbolo de união e desenvolvimento local”, disse.
Os próximos passos incluem a divulgação de pontos de troca e a capacitação de comerciantes para usar a nova moeda. A prefeitura também estuda parcerias com cooperativas agrícolas para ampliar o uso do pequi em feiras livres. Enquanto isso, os moradores já começam a se organizar para aderir à rede. “A gente espera que isso traga mais movimento para a cidade”, comentou uma moradora que trabalha em uma lanchonete.
A moeda será emitida em cédulas de papel com valor de 1, 5 e 10 pequis, além de moedas de metal. A prefeitura não informou se haverá reajustes periódicos no valor da moeda, mas garantiu que o projeto será monitorado de perto para evitar desequilíbrios. Por enquanto, a novidade já virou assunto nas redes sociais da cidade, onde moradores compartilham dicas de como usar o pequi no dia a dia.