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Programa estadual leva comida na mesa de pequenos produtores rurais

Agricultores familiares de oito municípios do Tocantins recebem incentivo para vender alimentos ao governo desde 2023

📝 Redação CCN24 de junho de 2026 às 11:28👁 6 leituras

O programa estadual que compra alimentos diretamente de pequenos agricultores já garantiu renda extra para 120 famílias em oito municípios do Tocantins. Desde o início de 2023, o governo estadual tem feito aquisições regulares de produtos como feijão, arroz, mandioca e hortaliças, injetando recursos na economia local e fortalecendo a segurança alimentar das famílias beneficiadas.

A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), atende a um público que muitas vezes enfrenta dificuldades para comercializar sua produção. Em 2023, foram investidos R$ 1,2 milhão na compra de alimentos de agricultores familiares, um valor que pode aumentar este ano com a ampliação do programa. Os municípios contemplados incluem Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Dianópolis, Miracema do Tocantins, Guaraí, Colinas do Tocantins e Palmas — esta última, além de ser polo de distribuição, também abriga produtores que participam do projeto.

Para o pequeno produtor rural, a diferença entre vender ou não vender a safra pode significar a diferença entre pagar as contas do mês ou não. Maria das Dores Silva, de 52 anos, mora em uma propriedade rural em Porto Nacional e há três anos depende da venda de mandioca e feijão para sustentar a família. "Antes, eu tinha que esperar feiras livres ou atravessadores para vender meu produto, e muitas vezes o preço não compensava", conta. "Agora, o governo compra direto da gente, sem intermediários, e isso mudou minha vida. Com o dinheiro, consegui comprar remédios para minha mãe e até reformar parte da casa."

O programa funciona por meio de chamadas públicas, onde os agricultores se cadastram e oferecem seus produtos. A Seagro, então, faz a seleção com base em critérios como qualidade, preço e regularidade na produção. Segundo dados da secretaria, em 2023 foram adquiridos 300 toneladas de alimentos, beneficiando diretamente 120 famílias. Este ano, a meta é ampliar o volume para 500 toneladas, com a inclusão de novos municípios e produtos.

A coordenadora do programa na Seagro, Ana Cláudia Oliveira, explica que a ação faz parte de uma política pública mais ampla para o campo. "Não é só sobre comprar alimentos, mas sobre garantir que o produtor rural tenha condições de continuar produzindo", diz. "Muitos desses agricultores não teriam como escoar a produção sem esse canal, e o programa também ajuda a reduzir o desperdício, já que os alimentos são distribuídos para merenda escolar e instituições públicas."

Para além da renda, o programa tem reflexos na economia local. Em Gurupi, por exemplo, a prefeitura utiliza parte dos alimentos comprados para abastecer creches e escolas municipais, reduzindo gastos com compras externas. "Antes, a gente gastava cerca de R$ 50 mil por mês com alimentos para as escolas", afirma o secretário municipal de Educação, Carlos Henrique Souza. "Com o programa, já conseguimos reduzir esse valor em 30%, e ainda apoiamos os produtores da região."

Os próximos passos incluem a ampliação do número de municípios participantes e a inclusão de novos produtos, como frutas e ovos. A Seagro também estuda parcerias com cooperativas para facilitar o acesso dos agricultores a recursos de custeio e investimento. Enquanto isso, produtores como Maria das Dores seguem firmes na lida diária, agora com a tranquilidade de saber que têm um comprador certo para parte daquilo que plantam.

O programa, que começou como uma alternativa para escoar a produção, hoje se tornou uma política pública que dialoga com as necessidades do campo tocantinense: gerar renda, alimentar famílias e fortalecer a economia regional.