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Pecuaristas dos EUA pressionam Trump contra importação de carne

Quatro grandes entidades do setor pedem revogação imediata de plano para trazer 300 mil toneladas de carne bovina

📝 Redação CCN28 de agosto de 2026 às 12:32👁 2 leituras
Pecuaristas dos EUA pressionam Trump contra importação de carne

O presidente Donald Trump enfrenta resistência de peso dentro do próprio país. Quatro das principais organizações de pecuária dos Estados Unidos se uniram para exigir a suspensão imediata de um projeto que prevê a importação de 300 mil toneladas de carne bovina. A medida, anunciada recentemente, já começa a gerar tensão entre produtores locais, que temem prejuízos com a competição estrangeira.

A coalizão reúne a National Cattlemen’s Beef Association, a American Farm Bureau Federation, a National Farmers Union e a U.S. Cattlemen’s Association. Em comunicado conjunto, as entidades classificaram a decisão como uma ameaça direta à estabilidade do mercado interno. Segundo elas, a importação em larga escala pode desvalorizar os preços pagos aos criadores e desestabilizar a cadeia produtiva, que já enfrenta desafios com custos elevados e margens apertadas.

O plano, ainda em fase de discussão, foi apresentado como uma estratégia para conter a inflação nos preços da carne nos EUA. No entanto, os pecuaristas argumentam que a medida beneficiaria mais os países exportadores do que os consumidores americanos. A pressão sobre a Casa Branca aumentou após a divulgação de um estudo interno que projeta uma queda de até 15% nos valores pagos aos produtores caso a importação seja autorizada.

Os números reforçam o temor dos criadores. A National Cattlemen’s Beef Association calcula que a medida poderia reduzir em 200 mil o número de cabeças de gado abatidas mensalmente nos EUA, impactando diretamente cerca de 500 mil empregos no setor. A American Farm Bureau Federation, por sua vez, alertou que a decisão poderia levar ao fechamento de pequenas e médias propriedades, especialmente na região Centro-Oeste, tradicionalmente dependente da pecuária.

A Casa Branca ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pedido de revisão. Fontes próximas ao governo indicam que a decisão final deve ser tomada até o final do mês, após uma série de audiências com representantes do setor. Enquanto isso, os pecuaristas intensificam suas ações políticas, com lobby no Congresso e campanhas públicas para mobilizar consumidores contra a importação.

O caso expõe uma divisão clara dentro da administração Trump. Enquanto setores do governo defendem a medida como uma forma de conter a inflação, a base rural do Partido Republicano — historicamente aliada ao ex-presidente — se mostra contrária. A pressão sobre a Casa Branca deve se intensificar nas próximas semanas, com a possibilidade de protestos em estados-chave como Texas e Kansas, onde a pecuária tem peso econômico significativo.

O desfecho ainda é incerto, mas uma coisa é certa: a decisão de Trump sobre o tema pode redefinir não apenas o futuro da pecuária americana, mas também a relação do governo com uma das bases mais tradicionais de seu eleitorado.