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Árvore histórica de Paraíso do Tocantins sucumbe ao cupim após 50 anos

Pé de cajá da avenida Piracicaba, no setor Jardim Paulista, foi preservado desde a fundação do loteamento

📝 Redação CCN21 de julho de 2026 às 17:56👁 1 leituras
Árvore histórica de Paraíso do Tocantins sucumbe ao cupim após 50 anos

A sombra que cobria a avenida Piracicaba, no setor Jardim Paulista, em Paraíso do Tocantins, não existe mais. O pé de cajá que ali resistia desde a criação do loteamento, há meio século, foi completamente consumido por cupins, deixando apenas o tronco oco como testemunha de sua existência. A árvore, que virou ponto de referência para moradores e motoristas, sucumbiu após décadas de resistência à urbanização da cidade.

A cajazeira estava plantada no canteiro central da avenida, um trecho que foi pavimentado anos atrás, mas a árvore foi mantida intencionalmente pelos primeiros moradores do Jardim Paulista. Na época da fundação do loteamento, há cerca de 50 anos, o pé de cajá já fazia parte da paisagem, e os moradores optaram por preservá-lo mesmo com a expansão da malha urbana. "Era um símbolo daquele lugar, as pessoas se reuniam embaixo dela para conversar, tomar um fresco no fim de tarde", lembra dona Maria Aparecida, 68 anos, moradora do setor desde 1985. Ela conta que, nos últimos meses, notou os primeiros sinais de infestação: galhos secos e cascas descascando, mas ninguém imaginava que o fim seria tão rápido.

O processo de deterioração acelerou nos últimos dias, segundo relatos de vizinhos. "A gente via os cupins saindo do tronco, parecia areia caindo", descreve o comerciante João Silva, dono de uma lanchonete a 200 metros dali. Ele conta que, na semana passada, a árvore já estava inclinada e sem folhas, um sinal claro de que não havia mais salvação. A prefeitura de Paraíso do Tocantins não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas moradores afirmam que não houve nenhuma ação preventiva nos últimos anos para combater pragas como essa.

Para os moradores, a perda vai além da sombra que fazia falta em dias quentes. O pé de cajá era um marco histórico não oficial da cidade, plantado antes mesmo de muitos dos atuais moradores nascerem. "Era como se fosse um parente velho que a gente sabia que estava ali, mas um dia não está mais", diz o estudante Lucas Oliveira, 22 anos, que cresceu vendo a árvore todos os dias no trajeto para a escola. A avenida Piracicaba, uma das principais do setor Jardim Paulista, agora tem um buraco no canteiro central, onde antes havia vida.

A morte da árvore também reacende discussões sobre a manutenção de áreas verdes em Paraíso do Tocantins. A cidade, que tem crescido rapidamente nas últimas décadas, enfrenta pressões por mais calçadas, iluminação e asfalto, mas pouco se fala sobre a preservação de espécies nativas em meio ao concreto. "A gente vê muito isso aqui: árvores antigas sendo derrubadas para dar lugar a obras, e pouca gente reclama", observa o engenheiro ambiental Rafael Mendes, que mora na região há 15 anos. Ele lembra que, em 2020, outro pé de cajá centenário, na zona rural de Paraíso, também foi perdido por falta de cuidados.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Paraíso do Tocantins não retornou os pedidos de entrevista até o fechamento desta edição. No entanto, moradores afirmam que nunca houve um plano de manejo para árvores urbanas na cidade. "A gente só percebe a importância quando perde", desabafa dona Maria Aparecida. Enquanto isso, a avenida Piracicaba segue com o canteiro vazio, e os motoristas que passam por ali agora só têm a memória do pé de cajá para contar.

O que vai acontecer com o tronco oco? A prefeitura ainda não definiu se vai removê-lo ou transformá-lo em um memorial. Mas uma coisa é certa: Paraíso do Tocantins perdeu um pedaço de sua história sem nem ao menos ter tido a chance de dizer adeus direito.

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