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Políticos e policiais criticam Lula por celulares roubados em delegacias

Presidente sugere devolver aparelhos furtados nos Correios; parlamentares e delegados reagem ao comentário

📝 Redação CCN16 de junho de 2026 às 11:31👁 1 leituras
Políticos e policiais criticam Lula por celulares roubados em delegacias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou reação de parlamentares e delegados ao afirmar que seria mais seguro devolver celulares roubados nos Correios do que em delegacias. A fala, feita durante evento no Palácio do Planalto, gerou polêmica entre autoridades que atuam diretamente na segurança pública.

Lula não detalhou como funcionaria a devolução dos aparelhos, mas a sugestão partiu de uma preocupação com a segurança dos cidadãos que precisam registrar ocorrências. A crítica veio principalmente de quem lida diariamente com a violência urbana e a burocracia policial. Para o presidente, a burocracia das delegacias poderia desestimular as vítimas a registrar o crime, enquanto os Correios ofereceriam um serviço mais ágil e seguro.

A reação não demorou. Parlamentares de oposição e representantes da Polícia Civil foram às redes sociais e à imprensa para rebater a proposta. O deputado federal Delegado Pablo (PL-SP) classificou a ideia como "inviável" e afirmou que a segurança pública não pode ser tratada como um problema de logística. "Delegacias existem para investigar crimes, não para servir de balcão de atendimento", disse o parlamentar, que já atuou como delegado.

Já a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) emitiu nota repudiando a fala. Segundo a entidade, a sugestão desqualifica o trabalho das polícias e ignora a complexidade dos crimes contra o patrimônio. "A devolução de celulares roubados depende de investigação, não de um simples protocolo", argumentou a associação. A Polícia Civil de São Paulo, uma das maiores do país, também se manifestou por meio de sua corregedoria, destacando que o registro de ocorrência é fundamental para rastrear aparelhos e combater o tráfico.

O comentário de Lula não é o primeiro a gerar atrito com a classe policial. Em 2023, o presidente já havia questionado a eficácia das investigações em casos de furtos, o que levou a uma série de desentendimentos com delegados e peritos. Desta vez, a polêmica ganhou contornos ainda mais tensos, pois toca em um ponto sensível: a confiança da população nas instituições de segurança.

Para quem vive no Tocantins, onde a violência patrimonial tem crescido nos últimos anos, a discussão soa distante, mas não deixa de ser relevante. Em Palmas, por exemplo, o número de furtos e roubos de celulares aumentou 15% no primeiro semestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do estado. A falta de confiança no sistema de registro de ocorrências pode agravar o problema, já que muitos cidadãos deixam de comunicar o crime por medo ou descrença.

A Polícia Civil tocantinense, contudo, não se manifestou oficialmente sobre a fala de Lula. O delegado-geral da corporação, no entanto, já havia dito em entrevista recente que o registro de ocorrência é a primeira etapa para a recuperação de aparelhos. "Sem o BO, não há como rastrear o IMEI ou identificar o comprador do produto roubado", explicou o chefe da polícia local.

A discussão também chega ao Congresso Nacional, onde projetos de lei sobre segurança pública estão em tramitação. Um deles, de autoria do deputado federal Delegado Éder Mauro (PL-PA), propõe a criação de um cadastro nacional de aparelhos roubados, vinculado ao sistema das operadoras de telefonia. A ideia, segundo o parlamentar, poderia agilizar a devolução de celulares, mas esbarra na resistência das empresas, que alegam questões de privacidade.

Enquanto o debate avança, a população segue dividida. De um lado, quem defende soluções práticas para recuperar aparelhos; de outro, quem vê na fala do presidente um desrespeito ao trabalho das polícias. O que fica claro é que, no Brasil, a segurança pública ainda é um tema que divide opiniões — e que, muitas vezes, as soluções propostas não passam de boas intenções sem lastro na realidade.

O Palácio do Planalto ainda não se pronunciou sobre as críticas recebidas. Enquanto isso, delegados e parlamentares seguem pressionando por respostas concretas, não apenas palavras. A próxima reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública, marcada para agosto, pode ser um novo palco para essa discussão — ou para o acirramento dos ânimos.