Pesquisa mostra empate técnico na corrida pelo Palácio Araguaia
Paraná Pesquisas aponta empate entre candidatos a governador do Tocantins com 30 dias para o 1º turno
A dois meses da eleição para governador do Tocantins, a disputa pelo Palácio Araguaia segue em aberto. Segundo a mais recente pesquisa Paraná Pesquisas, divulgada nesta semana, os dois principais candidatos aparecem tecnicamente empatados na preferência do eleitorado. O levantamento, feito entre os dias 10 e 12 de agosto, ouviu 1.200 moradores de 32 municípios tocantinenses, incluindo a capital Palmas, e mostrou que a diferença entre os postulantes não ultrapassa a margem de erro de 2,8 pontos percentuais.
O cenário acirrado reflete a polarização que tomou conta das discussões políticas no estado nos últimos meses. Em junho, o governador Mauro Carlesse (UNIÃO) anunciou que não disputaria a reeleição, abrindo caminho para uma sucessão marcada por incertezas. Desde então, os holofotes se voltaram para os nomes que já haviam sido sondados em eleições anteriores, como o senador Eduardo Gomes (PL) e o deputado estadual Wanderlei Barbosa (PP), além de figuras como o ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), que tenta o retorno ao Palácio Araguaia após anos fora da política local. A pesquisa Paraná Pesquisas não identificou, no entanto, qual dos candidatos lidera, mas indicou que ambos estão na casa dos 30% de intenções de voto, enquanto os demais concorrentes somam cerca de 20% das preferências.
Para quem vive no Tocantins, a indefinição tem reflexos diretos no cotidiano. Em Palmas, por exemplo, a expectativa em torno das obras prometidas pelos candidatos — como a conclusão do Anel Viário, a expansão do transporte público e a melhoria na saúde pública — ganha contornos de incerteza. "A gente vê promessas em todo lugar, mas o que falta é ação concreta", comenta Maria Silva, moradora do setor Sul de Palmas, onde a falta de pavimentação em algumas ruas ainda é um problema recorrente. "Se o governador não for reeleito, será que a próxima gestão vai dar continuidade aos projetos?", questiona ela, que já votou em três eleições municipais e acompanha de perto o cenário estadual.
No interior do estado, a preocupação é semelhante. Em Araguaína, segunda maior cidade do Tocantins, o candidato Wanderlei Barbosa, que já foi prefeito da cidade, tem apostado em uma campanha voltada para o desenvolvimento regional. "Aqui a gente precisa de mais investimentos em estradas e na agricultura familiar", diz João Costa, produtor rural de Colinas do Tocantins, município vizinho. "Se a eleição ficar muito apertada, pode ser que os projetos fiquem paralisados até a definição do novo governador."
A Paraná Pesquisas também mapeou a rejeição aos candidatos. Enquanto Eduardo Gomes aparece com 22% de rejeição, Wanderlei Barbosa tem 18%, números que, segundo analistas ouvidos pela reportagem, podem ser decisivos nos próximos dias. "Em eleições apertadas, a rejeição costuma pesar mais do que a preferência", avalia o cientista político Tiago Mendonça, da Universidade Federal do Tocantins. "Os eleitores tendem a votar mais contra um nome do que a favor de outro."
O próximo passo da campanha será a definição dos debates televisionados, que devem ocorrer ainda em agosto. Até lá, os candidatos intensificarão as visitas aos municípios, especialmente aqueles onde a diferença entre os concorrentes é menor. Em Gurupi, por exemplo, onde a pesquisa apontou empate técnico entre os dois principais nomes, a mobilização já é intensa. "Aqui a gente tem que mostrar serviço", diz um assessor de Wanderlei Barbosa, que esteve na cidade na semana passada. "O eleitorado está atento, e a gente não pode errar."
Para os eleitores, a lição é clara: o voto será ainda mais estratégico. Em um estado onde a política costuma ser decidida por margens estreitas, cada ponto percentual pode fazer a diferença entre vitória e derrota. E, para quem espera mudanças na gestão pública, a espera continua — pelo menos até o dia 6 de outubro, quando os tocantinenses vão às urnas.