Palmas avança em rede contra agressões à mulher
Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres participou de reunião para reforçar ações de proteção em todo o Tocantins 17/05
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A Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres de Palmas esteve ontem na sede do Ministério Público do Tocantins, em Palmas, para alinhar estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher. A reunião, que reuniu representantes de diversos órgãos estaduais e municipais, buscou integrar iniciativas já existentes e criar um plano conjunto para ampliar a proteção às vítimas.
A pauta central foi a necessidade de fortalecer a rede de atendimento, que inclui delegacias especializadas, centros de referência e programas de prevenção. Segundo a coordenadora da pasta municipal, a discussão partiu da constatação de que, apesar dos avanços, ainda há lacunas na articulação entre os serviços. "Precisamos garantir que uma mulher que denuncie uma agressão em Gurupi, por exemplo, seja acolhida da mesma forma que em Palmas", afirmou a coordenadora, sem citar nomes. A reunião também abordou a importância de capacitar profissionais que atuam diretamente no atendimento, como policiais, assistentes sociais e agentes de saúde.
Para quem vive no Tocantins, o debate tem reflexo direto no cotidiano. Em 2023, o estado registrou mais de 12 mil casos de violência doméstica, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. A capital, Palmas, concentra a maior parte das denúncias, mas cidades como Araguaína e Gurupi também apresentam números significativos. A integração entre os municípios é vista como uma forma de evitar que vítimas sejam desassistidas ao buscar ajuda em outra localidade.
A reunião contou com a participação de representantes da Polícia Civil, da Defensoria Pública, da Secretaria Estadual de Segurança Pública e de ONGs que atuam na defesa dos direitos das mulheres. Um dos pontos destacados foi a necessidade de ampliar o número de casas-abrigo, que hoje são insuficientes para atender a demanda. "Hoje temos apenas duas unidades em todo o estado, e muitas mulheres acabam retornando para o ciclo de violência por falta de alternativa", explicou a coordenadora da pasta municipal.
O próximo passo é a formação de um grupo de trabalho para elaborar um plano estadual de enfrentamento à violência contra a mulher. A previsão é que o documento seja finalizado em até 60 dias, com metas claras para cada órgão envolvido. Enquanto isso, a Secretaria Municipal de Palmas já anunciou a ampliação de campanhas de conscientização, com foco em bairros como o Centro e o Taquaralto, onde as denúncias costumam ser mais frequentes.
A iniciativa chega em um momento em que o governo estadual discute a destinação de recursos para políticas públicas de gênero. A coordenadora da pasta municipal destacou que a união entre os poderes é fundamental para que as ações não fiquem apenas no papel. "Não adianta criar leis e programas se não houver estrutura para colocá-los em prática", afirmou.