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Condenação de 70 anos por assassinato de criança em Babaçulândia choca norte do TO

João Vitor Oliveira Matos foi julgado em Filadélfia por matar a filha de 12 anos com facão em julho de 2025

📝 Redação CCN24 de agosto de 2026 às 01:33👁 2 leituras
Condenação de 70 anos por assassinato de criança em Babaçulândia choca norte do TO

O Tribunal do Júri de Filadélfia, no norte do Tocantins, condenou na última quinta-feira (20) o homem identificado como João Vitor Oliveira Matos a 70 anos de prisão pelo assassinato de sua filha, Wevelin Vitória Carvalho Oliveira, de 12 anos. O crime aconteceu na zona rural de Babaçulândia, município a cerca de 300 km de Palmas, e chocou moradores da região pela violência do ato e pela relação de parentesco entre vítima e agressor.

A decisão foi unânime entre os jurados, que acataram integralmente as acusações apresentadas pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO). O julgamento ocorreu em Filadélfia, cidade polo da região, onde o caso foi transferido por questões de segurança e logística. A Justiça determinou que o réu cumpra a pena em regime fechado, sem possibilidade de progressão.

O crime ocorreu em julho de 2025, mas só agora a Justiça tocantinense concluiu o processo. A vítima, Wevelin, foi morta com golpes de facão, segundo laudos apresentados durante o julgamento. O MPTO sustentou que o pai agiu com extrema violência, o que levou à condenação máxima prevista pela legislação.

Para a população de Babaçulândia e cidades vizinhas, como Araguaína e Augustinópolis, o caso reacendeu discussões sobre violência doméstica e a necessidade de políticas públicas mais eficazes na região. "É um crime que não pode ser esquecido, mas também não pode se repetir", afirmou um morador da zona rural de Babaçulândia, que pediu para não ser identificado. Ele lembrou que casos como esse mostram como a Justiça precisa agir rápido, especialmente quando envolve menores.

O delegado responsável pelo caso, que atuou na fase de investigação, destacou a importância da colaboração entre as forças de segurança e o MPTO para chegar à condenação. "O trabalho conjunto foi fundamental para elucidar o caso em tempo recorde", disse o policial, sem revelar detalhes da investigação.

A defesa do réu ainda não se manifestou sobre a possibilidade de recorrer da decisão. O advogado de João Vitor Oliveira Matos, que atua na comarca de Babaçulândia, informou que analisará as próximas etapas processuais nos próximos dias.

O caso levanta questões sobre o sistema de proteção à criança no Tocantins, especialmente em municípios menores, onde a rede de assistência social muitas vezes é limitada. Em 2024, o estado registrou um aumento de 15% nos casos de violência contra menores, segundo dados da Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju).

A condenação de 70 anos, embora rara, reflete a gravidade do crime e a resposta da Justiça tocantinense. Em 2023, outro caso semelhante em Porto Nacional resultou em condenação de 45 anos por homicídio de uma criança, o que mostra como o estado tem endurecido penas em casos de extrema violência.

Enquanto isso, em Babaçulândia, a notícia da condenação trouxe alívio para alguns moradores, mas também deixou um sentimento de que a Justiça chegou tarde demais para Wevelin. "Ela era uma criança cheia de vida, e agora só nos resta lembrar dela", disse uma vizinha da família, emocionada.

O próximo passo é a execução da pena, que será definida pela Vara de Execuções Penais de Filadélfia. A Justiça ainda não informou se o réu será transferido para uma penitenciária de segurança máxima ou se cumprirá a pena em regime fechado em uma unidade local.

O caso permanece sob os holofotes no norte do Tocantins, onde a segurança pública e a proteção à infância são temas recorrentes nas discussões políticas. Nas eleições municipais de 2024, candidatos de Babaçulândia e cidades vizinhas prometeram fortalecer programas de prevenção à violência, mas até agora pouco foi feito.

Enquanto a Justiça não define os próximos passos, a família de Wevelin segue em luto, e a sociedade tocantinense acompanha de perto os desdobramentos de um crime que marcou para sempre a história do estado.