Pai e filho com deficiência cruzam linha de chegada em prova de 5 km
Roney Lustosa e Ravi, de 4 anos, completam percurso em bicicleta adaptada sob aplausos em evento local

Um servidor público e seu filho de 4 anos surpreenderam a todos ao completar juntos um percurso de 5 quilômetros em uma prova de ciclismo adaptado. Roney Lustosa de Freitas, funcionário do governo, empurrou Ravi — criança com má-formação congênita na coluna — em uma bicicleta especialmente adaptada para a ocasião. A chegada emocionou participantes e espectadores, que registraram o momento em vídeo e vibraram com a dupla.
A prova, que não teve o nome divulgado, reuniu ciclistas de diferentes idades e habilidades. Ravi, que enfrenta limitações motoras desde o nascimento, foi conduzido pelo pai ao longo de todo o trajeto. A cena, capturada por celulares, mostra a criança sorrindo enquanto o vento batia em seus cabelos, enquanto Roney mantinha o ritmo firme, mesmo com o peso extra da cadeira adaptada. Ao cruzarem a linha de chegada, a multidão explodiu em aplausos e gritos de incentivo, transformando um simples evento esportivo em um ato de superação e afeto.
Para quem acompanha provas de ciclismo no Tocantins, cenas como essa não são comuns. Eventos esportivos locais geralmente atraem atletas amadores e profissionais, mas raramente incluem iniciativas voltadas para pessoas com deficiência. A participação de Ravi e Roney chamou a atenção justamente por quebrar esse padrão, mostrando que a inclusão pode — e deve — fazer parte do cotidiano esportivo da região.
Ravi nasceu com uma condição que afeta a estrutura da coluna vertebral, o que limita seus movimentos e exige cuidados especiais no dia a dia. A bicicleta adaptada, equipada com assentos e apoios específicos, foi a solução encontrada pela família para que o menino pudesse participar da atividade. Segundo Roney, a ideia surgiu como uma forma de incentivar o filho a experimentar novas sensações e, ao mesmo tempo, fortalecer os laços entre eles.
"Ele adora velocidade, então quando soube que tinha uma prova, quis participar", contou Roney, que trabalha em um órgão público e concilia a rotina de servidor com os cuidados com o filho. A adaptação da bicicleta foi feita por profissionais especializados, que ajustaram o equipamento para garantir segurança e conforto durante o percurso.
A prova, embora não tenha sido de grande porte, serviu como um lembrete de que o esporte pode ser um espaço de inclusão. Em um estado onde iniciativas voltadas para pessoas com deficiência ainda são escassas, casos como esse ganham relevância. Instituições como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e secretarias de esportes municipais têm buscado promover atividades adaptadas, mas a participação de iniciativas privadas ou de famílias como a de Roney ainda é fundamental para ampliar o acesso.
Para o pai, o mais importante não foi o tempo ou a posição na classificação, mas sim o sorriso no rosto do filho ao final do percurso. "Ver ele feliz assim não tem preço. Não importa se foi devagar ou se teve que parar para ajustar a cadeira. O que vale é a experiência", afirmou.
O vídeo da chegada, compartilhado em redes sociais, viralizou rapidamente entre moradores de Palmas e outras cidades do Tocantins. Comentários de apoio e mensagens de incentivo se multiplicaram, mostrando que, mesmo em um estado com desafios sociais e econômicos, atos de solidariedade e superação ainda encontram eco na população.
Agora, a família planeja participar de outras provas adaptadas, sempre buscando adaptar a bicicleta conforme as necessidades de Ravi. "A gente não para por aqui. Se tiver outra oportunidade, a gente vai atrás", garantiu Roney.
O caso também levanta discussões sobre a importância de eventos esportivos inclusivos no Tocantins. Enquanto secretarias de esporte e organizadores de provas ainda não têm políticas claras para a participação de pessoas com deficiência, iniciativas como a de Roney mostram que é possível — e necessário — dar os primeiros passos.
Enquanto isso, a imagem de Ravi, com os braços levantados e o rosto iluminado pela conquista, segue como um exemplo de que, às vezes, as maiores vitórias não vêm de medalhas, mas de momentos como esse: simples, emocionantes e cheios de significado.