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Ouro recua com dólar e juros nos EUA após dados de inflação

Preço do metal para dezembro caiu 0,88% em Nova York após alta nos Treasuries e na moeda americana

📝 Redação CCN26 de agosto de 2026 às 21:28👁 3 leituras
Ouro recua com dólar e juros nos EUA após dados de inflação

O preço do ouro para entrega em dezembro fechou em queda de 0,88% na Bolsa de Nova York na quarta-feira, pressionado pela valorização do dólar e pelo aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. O movimento refletiu a reação do mercado aos dados de inflação nos Estados Unidos, que vieram acima do esperado e reacenderam expectativas de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo.

A cotação do metal amarelo encerrou o dia cotada a US$ 2.320,20 por onça troy, após uma sessão de volatilidade. A alta dos Treasuries — especialmente os de dez anos — elevou os custos de oportunidade de investimentos em ativos sem rendimento, como o ouro, tornando-os menos atrativos. Ao mesmo tempo, a moeda americana se fortaleceu frente a outras divisas, reduzindo a demanda por ouro, que é negociado em dólar no mercado global.

Os dados de inflação divulgados na terça-feira mostraram que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos EUA subiu 0,4% em setembro, acima da projeção de 0,3%. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, também veio acima das expectativas, sinalizando que a pressão inflacionária ainda não cedeu. Com isso, os operadores passaram a precificar uma maior probabilidade de que o Fed mantenha a taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50% por mais tempo, o que desestimula aplicações em ouro.

O movimento não foi isolado. O ouro já vinha perdendo fôlego desde o início do mês, quando atingiu máximas históricas acima de US$ 2.400 por onça. A queda de ontem, no entanto, acendeu alertas entre investidores sobre a fragilidade do metal em um ambiente de juros altos e dólar forte. Analistas de grandes bancos internacionais já haviam alertado que o ouro poderia perder parte de seu apelo como reserva de valor em meio a um ciclo de aperto monetário prolongado.

Para quem acompanha o mercado de commodities, a queda de ontem reforça a tese de que o ouro enfrenta um novo ciclo de ajustes. Fundos de investimento e gestores de recursos, que haviam aumentado suas posições no metal nos últimos meses, começaram a reduzir exposição, temendo que a valorização recente não se sustente. A volatilidade deve persistir enquanto os dados econômicos nos EUA continuarem a surpreender o mercado.

A próxima semana será marcada pela divulgação de novos indicadores nos EUA, incluindo vendas no varejo e produção industrial, que podem dar mais pistas sobre a trajetória da inflação e da política monetária. Enquanto isso, o ouro segue como um termômetro da confiança dos investidores em ativos de risco e da disposição do Fed em conter a inflação sem sufocar o crescimento econômico.

Os contratos futuros do ouro para dezembro, negociados na Comex, registraram volume acima da média, indicando que a movimentação não foi apenas técnica, mas também motivada por decisões de fundos e traders. A queda de 0,88% pode parecer modesta, mas em um mercado acostumado a oscilações diárias de menos de 1%, o movimento ganha relevância.

O que fica claro é que o ouro, mesmo após anos de alta, não está imune a mudanças no cenário macroeconômico. A combinação de juros altos, dólar forte e inflação persistente cria um ambiente hostil para o metal, que historicamente se beneficia de incertezas e desvalorizações cambiais. Se a tendência se confirmar, os próximos meses podem trazer novas reavaliações nos portfólios de quem apostava no ouro como proteção contra crises.