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Escoliose: médico ortopedista lista sinais e tratamentos em Palmas

Ortopedista de hospital de Palmas detalha sintomas e opções terapêuticas para a doença que afeta postura e coluna em crianças e adultos

📝 Redação CCN11 de junho de 2026 às 16:40👁 4 leituras
Escoliose: médico ortopedista lista sinais e tratamentos em Palmas

O ortopedista do Hospital Geral de Palmas (HGP), doutor Marcos Túlio, alerta moradores da capital sobre os sinais mais comuns da escoliose e os tratamentos disponíveis na rede pública e privada. Segundo o especialista, a doença, que provoca curvatura anormal da coluna vertebral, pode ser identificada ainda na infância, mas também afeta adultos. A orientação é buscar ajuda médica assim que os primeiros sintomas aparecerem, especialmente em crianças em fase de crescimento.

A escoliose não tem uma causa única. Em cerca de 80% dos casos, não se descobre a origem, mas fatores genéticos, problemas neuromusculares ou até mesmo posturas inadequadas ao longo dos anos podem contribuir para o desenvolvimento da doença. "Muitas vezes, os pais só percebem quando a criança já está com a coluna visivelmente torta ou quando reclama de dores nas costas", explica o doutor Túlio. Ele destaca que, em casos leves, exercícios de fisioterapia e acompanhamento regular são suficientes para controlar a progressão. Já em situações mais graves, a cirurgia pode ser necessária.

No Tocantins, a rede pública oferece atendimento ortopédico em hospitais como o HGP e unidades básicas de saúde espalhadas pela capital e interior. Em Araguaína, por exemplo, o Hospital Regional de Araguaína também atende casos de escoliose, mas a demanda costuma ser maior do que a capacidade de atendimento. "A gente vê filas longas para consultas com ortopedistas, e isso atrasa o diagnóstico precoce, que é fundamental", comenta uma técnica de enfermagem do HGP, que pediu para não ser identificada. Segundo ela, muitos pacientes chegam ao hospital com a doença já em estágio avançado, o que limita as opções de tratamento.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, no Brasil, cerca de 3% da população têm algum grau de escoliose. No Tocantins, não há estatísticas oficiais específicas sobre a doença, mas o doutor Túlio estima que, só em Palmas, pelo menos 500 casos novos são diagnosticados anualmente. "A maioria é de crianças entre 10 e 15 anos, fase em que a coluna está em desenvolvimento", afirma. Ele lembra que a prevenção começa em casa: postura correta na escola, prática de esportes e exames de rotina com pediatras podem evitar que a doença se agrave.

Para quem já convive com a escoliose, o ortopedista recomenda evitar o sedentarismo e manter o peso controlado. "Exercícios como natação e pilates são excelentes, mas é preciso que o fisioterapeuta oriente a rotina", orienta. Em casos que exigem intervenção cirúrgica, o HGP encaminha os pacientes para o Hospital de Clínicas de Porto Nacional, referência em ortopedia no estado. A espera por uma vaga, no entanto, pode levar meses, o que preocupa famílias como a da estudante Ana Clara, 12 anos, moradora do Setor Sul de Palmas. "Ela faz fisioterapia há um ano, mas a coluna continua piorando. Agora, a gente está na fila para a cirurgia", desabafa a mãe da menina.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informou que está ampliando o número de consultas ortopédicas em Palmas e interior, mas não detalhou metas ou prazos. Enquanto isso, o doutor Túlio reforça a importância de campanhas de conscientização nas escolas e unidades de saúde. "A escoliose não é uma sentença. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue levar uma vida normal", garante. Ele também lembra que, em casos de dores persistentes ou assimetrias visíveis, a orientação é procurar um médico o quanto antes.

A fila de espera por cirurgias ortopédicas no Tocantins é um problema recorrente. Em 2023, o governo estadual anunciou a construção de um novo hospital em Gurupi para desafogar a rede, mas a obra ainda não saiu do papel. Enquanto isso, pacientes como Ana Clara seguem dependendo da sorte na fila do SUS. "A gente não pode esperar mais. Cada dia conta", desabafa a mãe da menina.

O doutor Túlio finaliza com um apelo: "A escoliose não escolhe idade nem classe social. É uma doença silenciosa, mas que tem solução. A gente só precisa dar atenção a ela antes que seja tarde demais".