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Polícia desarticula rede de armas no Tocantins com R$ 4 milhões em empresas fantasmas

Operação em três cidades atingiu grupo que abastecia facções criminosas com armamento e dinheiro sujo

📝 Redação CCN20 de agosto de 2026 às 17:29👁 2 leituras
Polícia desarticula rede de armas no Tocantins com R$ 4 milhões em empresas fantasmas

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou nesta semana uma grande operação para desmantelar uma organização criminosa acusada de fornecer armas a facções e movimentar cerca de R$ 4 milhões por meio de empresas de fachada. A ação, que envolveu mandados de prisão e buscas em endereços estratégicos, foi realizada em três municípios do estado, mas não teve os nomes divulgados pela corporação.

As investigações começaram após a polícia identificar um esquema de venda ilegal de armamentos a grupos criminosos, com pagamentos feitos por meio de empresas criadas apenas para esconder a origem do dinheiro. Segundo apurou a reportagem, os suspeitos usavam estruturas empresariais para justificar transações financeiras vultosas, o que dificultava o rastreamento das operações pela Receita Federal e pelo Ministério Público Estadual. A Polícia Civil não informou se houve prisão em flagrante ou se os acusados já estavam foragidos antes da operação.

A ação policial atingiu diretamente a segurança pública em cidades tocantinenses, onde facções criminosas têm se fortalecido nos últimos anos. Em 2023, o Tocantins registrou um aumento de 15% nos casos de tráfico de armas, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. A prática de usar empresas fantasmas para lavar dinheiro de atividades ilícitas não é nova no estado, mas a escala do esquema desarticulado agora chama atenção pela quantidade de recursos movimentados — R$ 4 milhões em pouco tempo, segundo a polícia.

Os alvos da operação foram identificados como responsáveis por intermediar a compra e venda de armas de fogo, além de coordenar a logística para entrega dos produtos a grupos criminosos. A Polícia Civil não divulgou nomes ou cargos dos investigados, mas informou que os mandados foram cumpridos em endereços residenciais e comerciais. A corporação também não detalhou se houve apreensão de armas durante as buscas, apenas que os procedimentos foram realizados com apoio da Polícia Militar e da Receita Federal.

O delegado responsável pela operação, que não teve o nome revelado, afirmou que as investigações começaram há cerca de oito meses, após denúncias anônimas e cruzamento de dados financeiros suspeitos. "Identificamos um padrão de movimentação atípica em contas bancárias e empresas, o que nos levou a aprofundar as apurações", declarou a autoridade, sem dar mais detalhes. A Polícia Civil informou que os presos serão encaminhados para a Superintendência da Polícia Judiciária em Palmas, onde ficarão à disposição da Justiça.

A operação ocorre em um momento em que o Tocantins enfrenta pressão para reduzir os índices de criminalidade violenta. Em 2024, o estado já registrou 22 homicídios dolosos até março, número 12% maior que o mesmo período do ano passado, conforme balanço da Secretaria de Segurança Pública. A polícia não confirmou se os investigados tinham ligação com facções específicas, mas admitiu que o esquema desarticulado fazia parte de uma rede maior de abastecimento de armamentos no estado.

A Polícia Civil informou que os próximos passos incluem a análise de documentos apreendidos e o depoimento dos presos. A Justiça ainda não se pronunciou sobre a prisão preventiva ou temporária dos acusados. Enquanto isso, a população tocantinense segue atenta aos desdobramentos, especialmente em cidades onde a presença de facções criminosas é mais forte, como Araguaína, Gurupi e Porto Nacional.

A operação também levanta questionamentos sobre a fiscalização de empresas no Tocantins. Em 2023, a Receita Federal do estado realizou 18 fiscalizações em empresas suspeitas de lavagem de dinheiro, mas apenas três resultaram em autuações. A Polícia Civil não comentou se o esquema desarticulado agora fazia parte dessas fiscalizações anteriores ou se passou despercebido pelos órgãos de controle.

A reportagem tentou contato com a Receita Federal e o Ministério Público Estadual para comentar o caso, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.