OpenAI oferece 5% ao governo dos EUA em troca de apoio regulatório
Proposta da empresa de IA inclui participação acionária para o governo Trump, segundo Financial Times

A OpenAI, dona do ChatGPT, surpreendeu ao propor ao governo dos Estados Unidos uma participação de 5% em sua estrutura acionária. A ideia, revelada pelo Financial Times nesta quinta-feira, sugere que outras empresas americanas de inteligência artificial também ofereçam percentuais semelhantes ao Estado. A medida, ainda em fase de discussão, busca garantir um modelo de governança que envolva o governo federal em um setor cada vez mais estratégico — e controverso.
A proposta não é apenas simbólica. Segundo o jornal britânico, a OpenAI argumenta que a participação governamental poderia facilitar a regulamentação da IA nos EUA, um tema que ganha urgência diante dos riscos associados à tecnologia, como desinformação e viés algorítmico. A ideia de vincular interesses privados a interesses públicos não é nova, mas ganha contornos inéditos quando aplicada a um setor que movimenta bilhões e influencia desde eleições até a economia global. O governo Trump, conhecido por sua postura crítica à regulação excessiva, ainda não se manifestou oficialmente sobre a oferta.
Para o Tocantins e o Brasil, a notícia pode parecer distante, mas ela reflete um debate que já chega por aqui. Empresas de tecnologia no país também enfrentam pressões para adotar práticas mais transparentes, especialmente após casos como o uso de dados de usuários sem consentimento. A discussão sobre participação governamental em empresas de IA, ainda que incipiente no Brasil, ganha relevância à medida que o governo federal avança em projetos como o Marco Legal da Inteligência Artificial, aprovado em 2021. A proposta da OpenAI, se concretizada, poderia servir de referência — ou de alerta — para reguladores brasileiros.
O Financial Times não detalhou como a participação de 5% seria estruturada, nem se outras empresas de IA nos EUA já aderiram à ideia. A Reuters, citada pela reportagem, não confirmou a adesão de outras companhias. O que se sabe é que a OpenAI, que recentemente demitiu seu CEO Sam Altman e enfrentou crises internas, busca reafirmar sua posição como líder no setor. A participação governamental poderia ser uma forma de legitimar sua atuação em um mercado cada vez mais cobiçado — e regulado.
O próximo passo depende de negociações entre a OpenAI e o governo dos EUA. Se a proposta for aceita, ela poderia abrir caminho para um modelo de governança compartilhada em empresas de tecnologia, algo que ainda não existe em larga escala. Para os brasileiros, a notícia serve como um lembrete: a regulação da IA não é um problema exclusivo de Washington ou Bruxelas. À medida que a tecnologia avança, governos de todo o mundo precisarão encontrar respostas — e a OpenAI acaba de jogar uma carta inesperada na mesa.