Onda de frio mata 83 bovinos no MS e acende alerta para criadores do TO
Primeira frente fria de 2026 causa prejuízos em fazendas de Mato Grosso do Sul e evidencia riscos que também ameaçam a pecuária tocantinense.

O ano de 2026 começou com um aviso amargo para quem cria gado em Mato Grosso do Sul. Uma frente fria chegou com força total no estado, derrubando as temperaturas de forma abrupta e deixando um saldo devastador: 83 bovinos mortos espalhados por apenas cinco propriedades rurais. Para os pecuaristas tocantinenses, essa notícia não é apenas mais um problema distante. O Tocantins respira pecuária tanto quanto Mato Grosso do Sul, e os desafios climáticos aqui não são tão diferentes daqueles que assolam o Centro-Oeste.
Quando criadores do sul enfrentam perdas desse calibre, é praticamente um aviso de tempestade para o rebanho local. As variações climáticas inesperadas não poupam ninguém. Os meteorologistas conhecem bem o padrão das frentes frias que atravessam o Brasil — são fenômenos previsíveis em termos gerais. O que ninguém consegue prever com precisão, porém, é exatamente quando vão chegar e com que intensidade vão bater. Muitas vezes, os produtores são apanhados de surpresa.
O problema real está no que acontece quando o termômetro despenca rapidamente. Se os animais não tiveram tempo para se adaptar ou as instalações não oferecem um abrigo mínimo, o resultado é letal. Bovinos acostumados com climas quentes sofrem demais com essas mudanças bruscas. Seus corpos não conseguem reagir rápido o suficiente. A morte chega antes que qualquer medida de proteção funcione.
No Tocantins, pecuaristas que acompanharam essa situação em Mato Grosso do Sul precisam tirar lições práticas desse episódio. Estruturas de proteção adequadas nas fazendas, acompanhamento de boletins meteorológicos mais rigoroso e planejamento para frentes frias são medidas que já deveriam estar no radar de quem trabalha com gado. Os prejuízos financeiros podem ser enormes. E mais importante que o dinheiro: animais morrem de frio quando deixamos brechas para isso acontecer.
O setor agropecuário tocantinense está atento. Afinal, o que acontece em estados vizinhos, especialmente naqueles com tradição forte em criação de bovinos como Mato Grosso do Sul, serve como um espelho do que pode acontecer por aqui. Os dados desse caso precisam circular entre os produtores locais. Não para assustar. Para preparar.