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Gatos em Palmas: mudanças no comportamento podem sinalizar doenças

Donos devem observar rotina, alimentação e postura dos felinos; veterinários alertam para sinais sutis de dor

📝 Redação CCN20 de agosto de 2026 às 17:29👁 2 leituras
Gatos em Palmas: mudanças no comportamento podem sinalizar doenças

No último mês, clínicas veterinárias de Palmas registraram aumento de 20% nas consultas de gatos com sintomas que, à primeira vista, pareciam apenas alterações de comportamento. O que muitos tutores não sabem é que mudanças na rotina, na alimentação ou até mesmo na postura do animal podem esconder problemas de saúde graves, desde doenças crônicas até dores silenciosas.

A rotina de um felino doméstico é previsível: come sempre nos mesmos horários, dorme nos lugares habituais e interage com os donos de forma constante. Quando esses padrões são quebrados, o alerta deve ser imediato. "Um gato que para de se lamber, que se esconde mais do que o normal ou que recusa a ração que sempre comeu pode estar com dor ou doença", explica a veterinária Ana Carolina Silva, que atende no Centro Veterinário da 104 Norte. Segundo ela, doenças como insuficiência renal, diabetes ou problemas dentários são comuns em gatos mais velhos, mas também afetam animais jovens. "A gente vê muito gato com dor nas articulações, mas que não mia nem late. Eles simplesmente param de pular ou deixam de usar a caixinha de areia", completa.

Em Palmas, onde a população de gatos domésticos cresceu 15% nos últimos dois anos — segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde —, a falta de informação sobre os sinais de alerta preocupa. Muitos donos só levam o animal ao veterinário quando a doença já está avançada, o que dificulta o tratamento e aumenta os custos. "A gente recebe casos de gatos com infecções graves porque os donos achavam que era apenas ‘preguiça’ ou ‘mau humor’", conta Silva. A veterinária lembra ainda que doenças como hipertireoidismo ou problemas cardíacos também podem se manifestar com sintomas leves, como perda de peso ou respiração ofegante.

O problema não é exclusivo de Palmas. Em Araguaína, por exemplo, clínicas relatam casos semelhantes, mas com um agravante: a dificuldade de acesso a exames especializados em algumas regiões do estado. "Aqui, a gente depende muito da observação do tutor. Se o dono não percebe que o gato está comendo menos ou que está mais apático, a doença avança", diz o veterinário Marcos Oliveira, que atende na cidade. Ele destaca que, em casos de doenças renais, a demora no diagnóstico pode ser fatal. "A insuficiência renal em gatos é silenciosa. Quando o tutor percebe, muitas vezes já é tarde demais", alerta.

Para quem mora em regiões mais afastadas, como o Bico do Papagaio, a situação é ainda mais crítica. A distância dos centros urbanos e a falta de clínicas especializadas fazem com que muitos tutores só descubram a doença quando o animal já está em estado grave. "A gente tem casos de gatos que chegam aqui com doenças avançadas porque os donos só perceberam quando o bichinho já não conseguia mais se alimentar", relata Oliveira. Ele conta que, nesses casos, o tratamento é mais caro e, muitas vezes, paliativo.

A prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria de Saúde, tem tentado conscientizar a população sobre a importância da prevenção. Desde o ano passado, a pasta realiza campanhas de vacinação e castração em bairros como o Jardim Aureny e o Taquaralto, onde a população de gatos é alta. "A gente sabe que a prevenção é a melhor forma de evitar doenças. Por isso, incentivamos os donos a levarem seus animais para check-ups regulares", afirma a coordenadora de Zoonoses, Maria Helena Costa. Ela lembra que doenças como a leucemia felina (FeLV) e a imunodeficiência felina (FIV) também são comuns e podem ser prevenidas com vacinação.

Os custos com tratamento de doenças em gatos podem pesar no bolso. Um exame de sangue para detectar problemas renais, por exemplo, custa entre R$ 150 e R$ 250 em clínicas particulares de Palmas. Já uma consulta veterinária básica varia de R$ 80 a R$ 150. "Muitas famílias não têm condições de arcar com esses valores, por isso a prevenção é tão importante", diz Costa. Ela orienta que donos de baixa renda procurem as unidades básicas de saúde ou as campanhas de vacinação para ter acesso a exames e medicamentos a preços reduzidos.

Os veterinários também alertam para os perigos da automedicação. "Dar remédios humanos para gatos é um erro grave. Muitos medicamentos são tóxicos para eles e podem piorar a situação", alerta Ana Carolina Silva. Ela conta que já atendeu casos de donos que deram dipirona ou paracetamol para seus animais, o que levou a intoxicações graves. "O correto é sempre procurar um profissional antes de medicar o animal", reforça.

Enquanto a prefeitura de Palmas trabalha para ampliar o acesso a serviços veterinários, donos de gatos em todo o estado precisam ficar atentos. Pequenas mudanças no comportamento do animal podem ser o primeiro sinal de que algo não vai bem. "Não é exagero levar o gato ao veterinário se ele parar de comer por dois dias ou se começar a se esconder constantemente. É melhor prevenir do que remediar", finaliza Silva.

A próxima etapa das campanhas de saúde animal em Palmas inclui palestras em escolas e bairros, com foco em prevenção e primeiros socorros para pets. A Secretaria de Saúde também estuda parcerias com clínicas particulares para oferecer descontos em exames para donos de baixa renda. Enquanto isso, donos de gatos em todo o Tocantins precisam ficar de olho nos sinais que seus animais dão — afinal, o silêncio deles pode estar gritando por ajuda.