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Polícia prende suspeita de agiotagem em operação que movimentou R$ 10 milhões

Mulher conhecida como "Malu Navalha" foi detida pela PCDF; investigação revelou esquema de juros abusivos e ameaças em DF e mais dois estados

📝 Redação CCN•15 de setembro de 2026 às 13:00•👁 1 leituras
Polícia prende suspeita de agiotagem em operação que movimentou R$ 10 milhões

Na manhã de segunda‑feira, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) cumpriu mandado de prisão contra a mulher identificada como "Malu Navalha", apontada como integrante de um grupo de agiotagem que movimentou cerca de R$ 10 milhões em oito meses.

A operação, desencadeada após meses de monitoramento, mostrou que a quadrilha atuava no Distrito Federal e em mais dois estados, oferecendo empréstimos com juros que chegavam a 20% ao mês. Quando os devedores atrasavam o pagamento, recebiam ameaças que incluíam intimidação pessoal e pressão sobre familiares. A estratégia de cobrança violenta permitia que o esquema mantivesse o fluxo de recursos apesar das taxas exorbitantes.

Para a população de Palmas e do interior tocantinense, o caso traz um alerta sobre práticas de crédito informal que ainda proliferam em comunidades. Pequenos comerciantes, agricultores e trabalhadores autônomos costumam recorrer a agiotas quando o acesso a linhas de financiamento bancário é limitado. A prisão de "Malu Navalha" pode reduzir a sensação de impunidade, mas também evidencia a necessidade de ampliar opções de crédito legal e de fortalecer a atuação preventiva da polícia local.

Os números divulgados pela PCDF apontam que o grupo recebeu mais de R$ 10 milhões entre outubro de 2023 e junho de 2024. As taxas de juros aplicadas ultrapassavam em muito os limites estabelecidos pelos bancos oficiais, gerando dívidas que se multiplicavam a cada parcela em atraso. Em depoimentos coletados, alguns suspeitos admitiram que o medo de represálias impedia que as vítimas procurassem a delegacia.

O delegado responsável pela investigação, Carlos Henrique da Silva, declarou que a prisão de "Malu Navalha" representa apenas a primeira fase de um trabalho que pode culminar em novas detenções nos próximos dias. "Estamos cruzando informações com as polícias estaduais de Tocantins e de outros municípios para identificar possíveis cúmplices que atuem aqui no estado", afirmou. O Ministério Público do Distrito Federal já encaminhou o inquérito para a Justiça, que deverá decidir sobre a abertura de ação penal contra os envolvidos.

Enquanto o processo segue, autoridades de Palmas recomendam que cidadãos que recebam propostas de empréstimo com condições suspeitas procurem a Delegacia de Polícia Civil ou a Ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública. O órgão também sinaliza que campanhas de orientação financeira serão intensificadas nas escolas e associações de bairro, visando reduzir a vulnerabilidade de famílias que ainda dependem de crédito informal.

A operação ainda deixa em aberto a extensão do esquema para além do DF. Investigações apontam que cidades tocantinenses como Araguaína, Gurupi e Porto Nacional podem ter sido pontos de captação de clientes. Caso as investigações confirmem a presença do grupo nesses municípios, a cooperação entre as polícias civis e a Procuradoria Geral de Justiça do Tocantins ganhará ainda mais relevância.

Nos próximos dias, a PCDF deve divulgar novos relatórios sobre apreensões de documentos e valores vinculados ao caso. A expectativa é que o desmantelamento completo da rede reduza a incidência de cobranças abusivas e ofereça maior segurança jurídica a quem busca crédito, especialmente em áreas onde o acesso ao sistema bancário ainda é restrito.