Disputa judicial põe em xeque fazenda de R$ 25 milhões em Dianópolis
Sócios alegam exclusão em venda de propriedade rural ao cantor Alexandre Pires; imóvel tem 2 mil hectares e registro em nome do artista

A Justiça tocantinense agora analisa uma briga entre sócios que pode redefinir a propriedade de uma das maiores fazendas do sudeste do estado. O imóvel, avaliado em R$ 25 milhões e com cerca de 2 mil hectares, foi vendido ao cantor Alexandre Pires, mas um dos envolvidos na negociação afirma que foi deixado de fora do negócio e acusa os demais de irregularidades. A propriedade, localizada em Dianópolis, já tem a escritura registrada em nome do artista, mas a polêmica pode abrir caminho para revisões judiciais.
O caso começou quando um dos sócios, que alega fazer parte de uma sociedade informal voltada para a compra e administração de terras, descobriu que a fazenda foi vendida sem o seu consentimento. Segundo ele, a transação envolvia valores milionários e deveria ter sido discutida entre todos os participantes do grupo. "Não tive participação alguma na decisão, nem fui informado sobre a venda. Isso fere os princípios básicos de uma sociedade", declarou o envolvido, que preferiu não se identificar por estar em meio a um processo judicial.
A fazenda, que já foi alvo de especulações no mercado imobiliário rural do Tocantins, chamou atenção pelo valor elevado e pela localização estratégica no sudeste do estado, região conhecida pela produção agropecuária. Dianópolis, cidade a cerca de 400 km de Palmas, tem se destacado nos últimos anos pela expansão de empreendimentos agrícolas, atraindo investidores de outros estados. A propriedade em questão, no entanto, agora se tornou um ponto de tensão entre quem participou — ou alega ter participado — da negociação.
O registro da fazenda em nome de Alexandre Pires foi feito após a compra, mas a documentação não esclarece como a sociedade foi desfeita ou se houve acordo entre os sócios. O cantor, que tem histórico de investimentos em terras no Brasil, não se manifestou publicamente sobre o caso. A defesa do sócio que entrou com a ação alega que a venda ocorreu de forma unilateral e que o valor pago — R$ 25 milhões — pode não refletir o real valor do imóvel, considerando seu potencial produtivo e localização.
Para quem vive no Tocantins, especialmente no sudeste, o desdobramento dessa disputa pode ter reflexos práticos. A região depende fortemente da agropecuária, e casos como esse geram incertezas para produtores e investidores que buscam segurança jurídica em transações de terras. "Quando uma propriedade desse porte vira alvo de briga judicial, o mercado fica desconfiado. Quem vai querer comprar ou vender com tranquilidade sabendo que pode ter problemas depois?", questiona um corretor de imóveis rurais de Gurupi, cidade próxima a Dianópolis.
A Justiça de Dianópolis já foi acionada, e o processo deve seguir para a fase de provas, onde documentos, depoimentos e contratos serão analisados. O juiz responsável pelo caso ainda não se pronunciou, mas a expectativa é de que a decisão possa estabelecer um precedente para outras disputas envolvendo sociedades rurais no estado. Enquanto isso, a fazenda continua registrada em nome de Alexandre Pires, mas a sombra de uma possível anulação da venda paira sobre o negócio.
O caso também levanta dúvidas sobre a segurança das transações imobiliárias no campo. No Tocantins, onde a compra e venda de terras é comum, mas nem sempre acompanhada de registros formais de sociedades, a falta de clareza nos acordos pode gerar conflitos como esse. Autoridades do setor imobiliário rural já haviam alertado para a necessidade de formalização de parcerias, mas a prática ainda enfrenta resistência entre pequenos e médios produtores.
Enquanto a Justiça não define o rumo da disputa, a fazenda de Dianópolis segue como um símbolo dos riscos que investidores e produtores correm ao fechar negócios sem a devida documentação. O desfecho do caso poderá influenciar não apenas os envolvidos, mas todo o mercado de terras no sudeste tocantinense, onde a confiança é tão valiosa quanto a terra em si.
A próxima audiência está marcada para daqui a dois meses, quando as partes devem apresentar novas provas. Até lá, a incerteza permanece, e a pergunta que todos fazem é: quem, de fato, tem direito sobre aquela fazenda?