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Egito investe US$ 15 bilhões para virar o jogo na produção de alimentos

Governo lança Novo Delta, maior projeto agrícola do país, para reduzir dependência de importações e garantir segurança alimentar a 120 milhões de pessoas

📝 Redação CCN29 de agosto de 2026 às 13:54👁 11 leituras
Egito investe US$ 15 bilhões para virar o jogo na produção de alimentos

O Egito acaba de lançar o maior projeto agrícola de sua história, um investimento de US$ 15 bilhões que promete transformar a relação do país com a produção de alimentos. Batizado de Novo Delta, a iniciativa mira reduzir a dependência de importações em um território onde 96% do solo é deserto e a população supera 120 milhões de habitantes. O anúncio foi feito pelo governo egípcio, que busca garantir autonomia alimentar em um cenário de vulnerabilidade externa.

A estratégia não é apenas ambiciosa, mas necessária. O Egito importa cerca de 60% dos alimentos consumidos internamente, uma fragilidade que se agravou nos últimos anos com crises globais de preços e instabilidades logísticas. O Novo Delta deve ocupar uma área equivalente a 1,5 milhão de hectares, usando técnicas avançadas de irrigação e agricultura de precisão para driblar a escassez de água e terras férteis. O projeto inclui a recuperação de solos degradados, a construção de reservatórios e a adoção de culturas resistentes à seca, como trigo e milho, além de investimentos em pecuária e aquicultura.

Para os egípcios, a mudança pode significar mais estabilidade nos preços dos alimentos e menos pressão sobre as reservas cambiais do país. Atualmente, o gasto com importações agrícolas consome cerca de 20% das divisas anuais do Egito, um fardo que afeta diretamente o bolso da população. A iniciativa também deve criar milhares de empregos em regiões rurais, onde o desemprego é historicamente alto. No entanto, especialistas alertam que o sucesso do projeto depende de fatores como a gestão hídrica e a manutenção dos investimentos a longo prazo.

Os números do Novo Delta impressionam: segundo o governo, a produção anual de grãos deve saltar de 25 milhões de toneladas para 50 milhões até 2030. A meta inclui também a redução das importações de trigo em 30% nos próximos cinco anos. O projeto já começou a ser implementado em fases, com prioridade para as regiões do Delta do Nilo e o deserto ocidental, onde a água subterrânea será fundamental. O financiamento vem de uma combinação de recursos públicos, parcerias internacionais e investimentos privados, com participação de empresas do setor agroindustrial.

O desafio, contudo, não é pequeno. O Egito enfrenta limitações naturais severas, como a escassez de água doce e a salinização dos solos. Além disso, a agricultura em larga escala pode gerar impactos ambientais, como o esgotamento de aquíferos e a perda de biodiversidade. O governo prometeu adotar práticas sustentáveis, mas a eficácia dessas medidas ainda será testada na prática. Enquanto isso, a população aguarda os primeiros resultados, que devem começar a aparecer nos próximos dois anos, quando as primeiras colheitas do Novo Delta estiverem prontas.

A iniciativa egípcia se soma a um movimento global de países que buscam reduzir a dependência de importações de alimentos. Com a pandemia e as guerras afetando cadeias globais, a segurança alimentar virou prioridade em várias nações. O Egito, que já foi um dos maiores importadores de trigo do mundo, agora tenta virar a página. Se der certo, o Novo Delta pode servir de exemplo para outras regiões com desafios semelhantes, provando que é possível produzir mais com menos — mesmo em territórios hostis.