Robinho tenta suavizar condenação por estupro no STF
Ex-jogador protocola novo pedido ao ministro Luiz Fux buscando abrandar pena recebida na Itália

Robinho voltou a buscar redução de sua condenação por estupro. O ex-atacante da seleção brasileira apresentou um novo pedido ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, na tentativa de suavizar a pena que recebeu da Justiça italiana. A Procuradoria-Geral da República já sinalizou que vai se opor ao recurso, enquanto aguarda o posicionamento do magistrado.
O caso tem origem em um crime sexual ocorrido em 2013, em Milão. Na época, Robinho estava emprestado pelo Manchester City ao AC Milan. Uma mulher alegou ter sofrido abuso sexual em um estabelecimento noturno da cidade, supostamente com participação do jogador e de outros envolvidos. A vítima denunciou o crime, e a Justiça italiana investigou o caso por anos.
Em 2017, mais de quatro anos depois dos fatos, Robinho foi condenado na Itália a nove anos de prisão. A sentença foi baseada nas provas recolhidas durante a investigação. No entanto, o jogador permaneceu no Brasil enquanto a condenação transitava pela Justiça, aproveitando-se de um tratado bilateral entre Brasil e Itália que dificultava procedimentos de extradição. Essa brecha permitiu que Robinho continuasse sua vida no território nacional, longe das autoridades italianas.
A situação mudou em 2022. O Supremo Tribunal Federal autorizou que a condenação fosse cumprida no sistema penitenciário brasileiro, após a Itália enviar documentação completa do processo e da sentença. A decisão encerrou a possibilidade de o jogador permanecer impune no Brasil. Desde então, Robinho está preso, passando por diferentes estabelecimentos penais ao longo do cumprimento de sua pena.
Desde que começou a cumprir a condenação, o ex-jogador vem protocolando recursos sucessivos junto ao STF. Cada um desses pedidos busca, de forma diferente, reduzir ou abrandar a pena que recebeu. O novo pedido apresentado ao ministro Luiz Fux segue a mesma estratégia dos anteriores — tentar conseguir junto ao Supremo o que a Justiça italiana já lhe negou.
O caso de Robinho reflete um debate maior sobre justiça e consequências para pessoas públicas. Por quase uma década, um jogador famoso pôde evitar cumprir sua condenação porque morava em um país diferente daquele em que o crime ocorreu. Enquanto isso, a vítima teve que lidar com as consequências do abuso sem ver seu agressor encarcerado no tempo que se seguiu à sentença.
Para moradores de Tocantins e de todo o Brasil, o caso também exemplifica como o sistema judiciário funciona em situações internacionais. Quando um brasileiro comete crime em outro país, a extradição não é automática. Depende de tratados, de análises jurídicas e, muitas vezes, de decisões do STF. Nesse ínterim, podem passar anos até que a Justiça seja efetivamente cumprida.
A oposição da Procuradoria-Geral da República indica que órgão responsável pela acusação no Brasil entende que não há motivo para reduzir a pena. Robinho cumpre sua condenação, e qualquer abrandamento seria uma concessão sem fundamento jurídico sólido. Agora, o ministro Luiz Fux terá que avaliar se existe alguma razão legal para alterar a decisão já tomada pela Justiça italiana e confirmada pelo próprio STF.
O desdobramento esperado é que Fux se manifeste sobre o pedido nas próximas semanas. Seja negando o recurso ou pedindo mais informações, a decisão do ministro pode encerrar definitivamente as tentativas de Robinho de reduzir sua condenação, ou abrir espaço para novos questionamentos. Enquanto isso, o jogador continua detido, cumprindo sua pena no sistema penitenciário nacional.