Professora venezuelana relata perda de mais de 200 alunos em terremotos de junho
Madeleine, docente do ensino médio, chora as vítimas dos fortes tremores que abalaram o norte da Venezuela

Madeleine, professora de ensino secundário, vive um luto profundo depois que mais de duzentos estudantes desapareceram nas catástrofes sísmicas que atingiram o norte da Venezuela em junho. Os dois terremotos, ocorridos poucos dias apartados, deixaram escolas desmoronadas e comunidades devastadas.
Os tremores, classificados como de magnitude elevada, surpreenderam autoridades e moradores. A região, já vulnerável a deslizamentos e à falta de infraestrutura resistente, viu prédios escolares desabarem enquanto as aulas estavam em andamento. O colapso das estruturas impediu o acesso rápido às vítimas, complicando os esforços de resgate. Organizações de socorro relataram que a combinação de força sísmica e construções precárias agravou o número de fatalidades, principalmente entre adolescentes que estavam nas salas de aula.
Para as famílias, a tragédia significa não apenas a perda de entes queridos, mas também a interrupção abrupta da educação. Muitos jovens agora enfrentam a perspectiva de ter que abandonar os estudos ou buscar escolas temporárias, enquanto os recursos locais já são escassos. A escassez de abrigos e a necessidade de reconstruir rapidamente as instalações escolares colocam pressão adicional sobre autoridades municipais, que recebem pedidos de ajuda internacional e nacional.
Madeleine descreve o sofrimento como "para mim, eles eram como filhos" e conta que ainda ouve o barulho das aulas que nunca aconteceram. Ela acrescentou que, ao percorrer os corredores vazios, sente o peso da ausência de cada estudante que desapareceu. Dados divulgados pelos serviços de emergência indicam que o número de alunos mortos supera os duzentos, embora o total exato ainda esteja sendo apurado devido à dificuldade de identificar todos os corpos nas áreas atingidas.
A comunidade escolar organizou vigílias e coletâneas de apoio financeiro para as famílias enlutadas. Enquanto isso, o Ministério da Educação venezuelano anunciou a criação de um plano emergencial para reconstruir as escolas destruídas, mas ainda não definiu prazos claros. Organizações não governamentais pressionam por recursos adicionais e por uma avaliação das normas de construção, visando evitar novos desastres semelhantes.
O futuro imediato traz dúvidas sobre quando as aulas poderão ser retomadas e como será o processo de recuperação psicológica dos sobreviventes. Equipes de saúde mental já foram enviadas para as áreas mais afetadas, mas a demanda supera a oferta. Autoridades locais esperam que a cooperação internacional traga equipamentos, materiais de construção e apoio logístico para acelerar a reconstrução.
Nos próximos dias, espera-se a chegada de missões de ajuda humanitária que avaliarão as necessidades prioritárias. Enquanto isso, Madeleine e seus colegas de trabalho continuam a prestar apoio emocional aos colegas e a manter viva a memória dos estudantes desaparecidos, na esperança de que a educação retorne ao ritmo normal o mais rápido possível.