Tarifas de Trump entram em vigor hoje e afetam exportações brasileiras
A partir de hoje, 25% de taxa sobre carne, café e aeronaves brasileiras entram em vigor nos EUA; medida afeta setores-chave do Brasil

As novas tarifas de 25% impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros começam a valer a partir desta quarta-feira (22), marcando mais um capítulo nas tensões comerciais entre os dois países. A decisão afeta diretamente itens como carne bovina, café e aeronaves, setores que dependem fortemente das exportações para os Estados Unidos.
A medida, anunciada na semana passada, já era esperada pelo mercado, mas agora ganha força real com a aplicação imediata. Segundo dados do Ministério da Economia brasileiro, os EUA são o segundo maior destino das exportações do Brasil, atrás apenas da China. Em 2023, o país norte-americano importou US$ 32 bilhões em produtos brasileiros, com destaque para commodities agrícolas e manufaturados. A carne bovina, por exemplo, teve um volume de US$ 1,8 bilhão exportado para lá no ano passado, enquanto o café representou US$ 1,2 bilhão.
Para o Tocantins, estado que tem na pecuária e na agricultura dois de seus principais motores econômicos, o impacto pode ser sentido rapidamente. Produtores rurais da região, que já enfrentam desafios como a seca prolongada e a concorrência internacional, agora terão que lidar com a redução da competitividade de seus produtos no mercado americano. "Essa taxa vai encarecer nossos produtos lá, e o consumidor final nos EUA pode buscar alternativas, como carne da Argentina ou do Uruguai, que não têm essa tarifa", explica o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet), José Geraldo Rosa.
A lista de produtos atingidos pela tarifa inclui também aeronaves, um setor em que o Brasil tem presença global com a Embraer. Em 2023, o país exportou US$ 5,6 bilhões em aviões e componentes, sendo uma parcela significativa destinada aos EUA. A medida pode prejudicar não só as vendas diretas, mas também os contratos de manutenção e serviços associados.
Do lado americano, a justificativa para as tarifas está na defesa da indústria local. "Estamos protegendo empregos e indústrias estratégicas dos EUA", declarou um porta-voz do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, sem entrar em detalhes sobre como a medida beneficiaria os consumidores.
No Brasil, a reação oficial ainda não foi consolidada, mas o governo já sinalizou que pode recorrer a instâncias internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), para contestar as tarifas. "Vamos analisar todas as opções legais para defender nossos interesses", afirmou um assessor da Presidência da República.
Enquanto isso, empresas brasileiras já começam a se preparar para o impacto. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) informou que estuda alternativas para escoar a produção, como aumentar as vendas para outros mercados, como a Ásia e o Oriente Médio. "Temos que diversificar nossos clientes, mas isso leva tempo", disse o diretor-executivo da entidade, Antônio Jorge Camardelli.
Para o setor aéreo, a situação é ainda mais delicada. A Embraer, que tem sede em São José dos Campos (SP), mas atua globalmente, já havia alertado para os riscos da medida. "Qualquer barreira comercial afeta nossa cadeia de suprimentos e pode atrasar entregas", afirmou um executivo da empresa, que pediu anonimato.
O que se sabe até agora é que a tarifa não é retroativa, ou seja, produtos já embarcados antes de hoje não serão afetados. No entanto, a partir de amanhã, qualquer novo carregamento para os EUA estará sujeito à taxa.
O Ministério da Agricultura do Brasil informou que monitora o impacto da medida em tempo real e deve divulgar um balanço nas próximas semanas. Enquanto isso, produtores e indústrias brasileiras se preparam para um cenário de incerteza, com possíveis reflexos na geração de empregos e no crescimento econômico do país.
O que resta saber é até quando durará essa guerra comercial e quais serão os próximos passos de ambos os governos. Uma coisa é certa: o Brasil, que já enfrenta desafios internos, agora terá que lidar com mais um obstáculo no comércio exterior.