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Silos e tecnologia ganham força no agronegócio tocantinense

Conab projeta safra recorde de 356 milhões de toneladas; falta de armazenagem preocupa produtores

📝 Redação CCN22 de julho de 2026 às 01:59👁 1 leituras
Silos e tecnologia ganham força no agronegócio tocantinense

A safra de grãos no Tocantins e no Brasil deve bater novo recorde em 2025, mas o crescimento da produção esbarra em um velho problema: a falta de silos para guardar a colheita. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional deve chegar a 356,34 milhões de toneladas, um salto de 6,8% em relação ao ano passado. No Tocantins, a expectativa é de que a soja, principal cultura do estado, ultrapasse 4 milhões de toneladas, enquanto o milho deve superar 3 milhões. O volume é suficiente para encher mais de 17 mil silos de 50 toneladas cada — mas a capacidade atual do estado mal chega a 10% disso.

A disparidade entre o que se planta e o que se armazena não é novidade para quem vive no campo. Em Gurupi, maior polo agrícola do sul do Tocantins, produtores relatam prejuízos por não terem onde guardar a safra. "A gente colhe, mas não tem estrutura. Muitas vezes, a gente precisa vender na hora, mesmo com preço baixo, porque não tem silo", conta João Carlos Silva, produtor de soja há 20 anos na região. A situação piora nos anos de safra farta, como este, quando a oferta de grãos supera a demanda imediata e os preços despencam. Em Porto Nacional, outro município com forte presença do agronegócio, a prefeitura tenta atrair investimentos para construir armazéns públicos, mas a burocracia emperra os projetos.

O problema não é exclusivo do Tocantins. No Brasil, a capacidade de armazenagem estática — que inclui silos, armazéns e graneleiros — deve chegar a 213 milhões de toneladas até 2025, segundo a Conab. Mesmo assim, a demanda cresce mais rápido: a safra atual já supera em 30% a capacidade disponível. No estado, a Companhia de Desenvolvimento do Tocantins (Norte Energia) e a Secretaria de Estado da Agricultura (Seagro) anunciaram recentemente um edital para financiar a construção de 15 novos silos em municípios como Formoso do Araguaia e Dueré, mas o ritmo ainda é lento para quem depende da colheita para sobreviver.

A tecnologia pode ajudar a amenizar o gargalo, mas não resolve tudo. Em Palmas, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet) promove cursos sobre gestão de armazenagem e uso de aplicativos que monitoram a umidade e a temperatura dos grãos. "A gente ensina a evitar perdas com pragas e mofo, mas sem silo, não adianta", admite o engenheiro agrônomo Marcos Vinícius Oliveira, coordenador dos treinamentos. Em Araguaína, uma startup local desenvolveu um sistema de aluguel de silos móveis para pequenos produtores, mas a solução ainda atende apenas uma fatia do mercado.

Para os próximos meses, a expectativa é de que a pressão sobre os preços dos grãos se mantenha alta, especialmente nos municípios onde a colheita começa mais cedo, como no Bico do Papagaio. A Conab já alertou que, sem investimentos em armazenagem, a safra recorde pode se transformar em prejuízo para quem planta. Enquanto isso, em Gurupi, João Carlos Silva já planeja vender parte da próxima colheita antecipadamente. "A gente não pode arriscar perder tudo por falta de lugar para guardar", diz. A solução, pelo menos por enquanto, ainda depende de quem decide onde o dinheiro público vai ser aplicado — e quando.

A Seagro informou que está em tratativas com o Banco do Brasil para liberar R$ 50 milhões em linhas de crédito específicas para construção de armazéns, mas não há data para a efetivação dos recursos. Enquanto o dinheiro não chega, o campo segue contando os dias até a próxima colheita — e torcendo para que os silos não sejam o próximo gargalo.