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Gestantes com Anti-TPO não devem tomar levotiroxina diz nova regra

Recomendação brasileira muda conduta em casos de anticorpos contra a tireoide durante a gravidez 2024

📝 Redação CCN28 de agosto de 2026 às 12:32👁 2 leituras
Gestantes com Anti-TPO não devem tomar levotiroxina diz nova regra

O Ministério da Saúde atualizou as orientações para o tratamento de gestantes com anticorpos contra a tireoide. Agora, mulheres com Anti-TPO positivo não devem receber levotiroxina, o hormônio sintético usado para regular a função da glândula. A mudança, anunciada recentemente, afeta diretamente o acompanhamento pré-natal em todo o país, inclusive no Tocantins, onde a rede pública de saúde segue protocolos federais.

A decisão veio após revisão de estudos que indicam riscos no uso indiscriminado do medicamento em casos específicos. Segundo a nova diretriz, a levotiroxina só deve ser prescrita quando há diagnóstico confirmado de hipotireoidismo clínico, não apenas pela presença de anticorpos. No Tocantins, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) já orientou os municípios a ajustarem os protocolos de atendimento às gestantes, especialmente nas cidades com maior demanda por serviços de saúde materna, como Palmas, Araguaína e Gurupi.

A rede pública tocantinense, que atende cerca de 15 mil gestantes por ano, precisará revisar cerca de 30% dos casos em acompanhamento. Isso porque, antes da mudança, muitas mulheres com Anti-TPO positivo eram medicadas preventivamente, mesmo sem sintomas ou alterações nos exames de TSH. Agora, o foco será monitorar a função tireoidiana com exames periódicos e ajustar o tratamento apenas quando necessário. Em Palmas, por exemplo, a Maternidade Municipal Mãe Luzia já iniciou a capacitação de suas equipes para aplicar a nova regra, que deve reduzir o uso desnecessário de levotiroxina em até 25% dos casos.

A médica endocrinologista Dra. Ana Carolina Oliveira, que atende no Hospital Regional de Araguaína, explica que a medida busca evitar complicações tanto para a mãe quanto para o bebê. "O hipotireoidismo não tratado pode levar a abortos espontâneos ou partos prematuros, mas o uso excessivo de levotiroxina também traz riscos, como arritmias e osteoporose. Por isso, a conduta deve ser individualizada", afirma. No Tocantins, onde a incidência de doenças tireoidianas é semelhante à média nacional, a SES já distribuiu notas técnicas aos 139 municípios, reforçando a necessidade de exames mais criteriosos antes de iniciar qualquer tratamento.

Para as gestantes tocantinenses, a mudança significa menos exames desnecessários e mais segurança no pré-natal. Em Paraíso do Tocantins, a Unidade Básica de Saúde do Centro já reduziu em 40% as solicitações de levotiroxina desde que a nova regra entrou em vigor. "As pacientes estão mais tranquilas agora. Antes, muitas recebiam o medicamento sem necessidade, e agora entendem que o acompanhamento com exames é suficiente", conta a enfermeira Maria Silva, coordenadora da unidade.

Ainda não há previsão de quando a nova diretriz será incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) de forma definitiva, mas a SES já trabalha para atualizar os sistemas de informação e garantir que os dados sejam registrados corretamente. Enquanto isso, as gestantes com Anti-TPO positivo devem procurar seus médicos para reavaliar o tratamento. Em Porto Nacional, a Secretaria Municipal de Saúde já agendou uma reunião com as equipes de saúde da família para esclarecer dúvidas e evitar erros na conduta.

A expectativa é que, com a nova regra, o Tocantins reduza os gastos com levotiroxina em cerca de R$ 2 milhões por ano, recursos que poderão ser redirecionados para outras áreas da saúde materna. Além disso, a medida alinha o estado às melhores práticas internacionais, onde o uso preventivo do hormônio sintético já é evitado em casos de Autoanticorpos positivos sem hipotireoidismo.

A SES informou que continuará monitorando os casos e fará novas orientações conforme a implementação da diretriz avançar. Enquanto isso, as gestantes devem manter os exames de rotina em dia e seguir as recomendações de seus médicos, sempre questionando sobre a necessidade de cada medicamento prescrito.

A mudança chega em um momento em que o Tocantins enfrenta desafios na saúde materna, como a alta taxa de cesáreas e a necessidade de ampliar o acesso ao pré-natal de qualidade. Com a nova regra, a expectativa é que o estado melhore os indicadores de saúde fetal e reduza complicações evitáveis, sem onerar ainda mais o sistema público.

Os próximos passos incluem a divulgação de cartilhas informativas para as gestantes e a realização de palestras nas unidades básicas de saúde, especialmente nas regiões com menor acesso a especialistas, como o Bico do Papagaio. A SES também deve acompanhar os dados de nascidos vivos e complicações neonatais nos próximos meses para avaliar o impacto da medida.