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Rússia enfrenta déficit recorde apesar do petróleo caro

Mesmo com alta dos preços do petróleo após tensões no Irã, Moscou sofre com pressão nas contas públicas e debate cortes na defesa

📝 Redação CCN01 de junho de 2026 às 21:09👁 1 leituras
Rússia enfrenta déficit recorde apesar do petróleo caro

A Rússia está tendo dificuldades para equilibrar suas contas públicas. O país enfrenta um déficit recorde enquanto financia a guerra na Ucrânia, e nem mesmo a alta recente do preço do petróleo — provocada pela escalada de tensões no Irã — consegue resolver o problema. Internamente, há debates sobre reduzir gastos militares, algo impensável há poucos meses.

Para entender por que Moscou está nessa situação, precisa-se voltar a fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Desde então, o país gasta cifras astronômicas em operações militares, equipamentos, armamentos e sustento de tropas. Esses custos crescem dia após dia, e a guerra não dá sinais de terminar tão cedo.

A economia russa já sofria antes do conflito. As sanções ocidentais — impostas após a invasão — fecharam mercados para produtos russos, dificultaram o acesso a tecnologia estrangeira e congelaram ativos do país no exterior. Empresas internacionais saíram da Rússia. Bancos foram isolados do sistema financeiro global. O rublo desvalorizou. Tudo isso reduziu a capacidade de arrecadação do governo.

O petróleo sempre foi a tábua de salvação de Moscou. Quando os preços sobem no mercado internacional, as exportações de óleo geram divisas que ajudam a fechar as contas. Foi o que aconteceu recentemente, quando as tensões entre Estados Unidos e Irã provocaram incerteza sobre o fornecimento mundial de petróleo, elevando os preços. Moscou, como grande exportador, deveria se beneficiar. Mas não o suficiente.

O déficit que o país enfrenta agora é o maior em anos. Isso significa que as despesas — principalmente a guerra — superam o que o governo arrecada em impostos e receitas. Para cobrir esse buraco, Moscou recorre às suas reservas cambiais acumuladas ao longo dos anos. Mas essas reservas não são infinitas. Usá-las sem parar é queimar dinheiro que poderia ser investido em infraestrutura, educação ou saúde.

Dentro do governo russo, militares e analistas políticos já começam a questionar se os gastos de defesa podem continuar crescendo indefinidamente. Alguns argumentam que cortes são necessários para evitar um colapso fiscal. Outros dizem que recuar nos investimentos militares é impensável enquanto a guerra continua. É um dilema sem solução fácil: manter a máquina de guerra funcionando drena as finanças, mas parar os gastos significa perder uma guerra que Putin considera essencial para sua política externa.

As consequências práticas disso ainda não são completamente visíveis para a população russa, mas podem vir. Se o governo precisar cortar gastos em outras áreas para sustentar a guerra, isso afeta cidadãos comuns. Menos investimento em infraestrutura, menos programas sociais, menos oportunidades econômicas. Inflação persistente também corrói o poder de compra das pessoas.

Para o resto do mundo, a situação russa importa. Uma economia em crise pode fazer Moscou tomar decisões mais arriscadas ou impulsivas na Ucrânia ou em outras partes do planeta. Além disso, a dependência contínua de petróleo e gás para financiar operações mostra quanto o modelo econômico russo é frágil — baseado em commodities em vez de inovação e produção diversificada.

No cenário internacional, o impasse financeiro russo reforça a tese de que as sanções ocidentais funcionam, mesmo que lentamente. A guerra tem um custo que Moscou está tendo dificuldade em pagar, e nenhuma alta de petróleo parece capaz de resolver o problema de forma permanente. A pergunta que fica é: por quanto tempo a Rússia consegue manter esse ritmo?