Ronaldo Dimas defende mais investimentos para Araguaína e região
Prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas, destaca necessidade de ampliar recursos para a cidade e seu entorno durante evento regional

Araguaína recebe nesta semana um apelo claro por mais investimentos públicos e privados. O prefeito Ronaldo Dimas usou um evento regional para defender que a cidade e sua região não podem se contentar com projetos modestos. Em tom firme, ele afirmou que a cidade precisa mirar mais alto para garantir crescimento sustentável e melhorar a qualidade de vida da população.
O discurso aconteceu durante uma reunião com lideranças locais e representantes de órgãos estaduais. Dimas não poupou críticas à postura de quem se limita a demandas pequenas, defendendo que Araguaína tem potencial para atrair empreendimentos maiores, capazes de gerar emprego e renda. "Não podemos sonhar pequeno", declarou, reforçando que a cidade já é um polo regional em saúde, educação e comércio, mas precisa de mais infraestrutura para consolidar esse papel.
A região de Araguaína, que inclui municípios como Aragominas, Filadélfia e Wanderlândia, enfrenta desafios comuns a outras áreas do Tocantins: falta de recursos para obras prioritárias, como pavimentação de estradas vicinais e ampliação da rede de esgoto. Dimas citou exemplos recentes, como a recuperação de trechos da TO-010, que liga Araguaína a outros municípios, como um avanço necessário, mas insuficiente diante da demanda. "Precisamos de projetos que mudem a realidade não só da cidade, mas de toda a região", afirmou.
Para quem vive em Araguaína ou nos municípios vizinhos, a fala do prefeito não é apenas retórica. Moradores da zona rural, por exemplo, ainda dependem de estradas precárias para escoar a produção agrícola, enquanto comerciantes da cidade enfrentam filas em hospitais públicos devido à falta de leitos especializados. A saúde é um ponto crítico: o Hospital Regional de Araguaína, referência para 30 municípios, opera com superlotação constante, e a ampliação da unidade é um pleito antigo.
Dimais também mencionou a necessidade de atrair indústrias para diversificar a economia local, hoje fortemente dependente do setor de serviços e da agropecuária. Ele citou o polo moveleiro de Miranorte, a 120 km de Araguaína, como um exemplo de sucesso que poderia ser replicado na região, desde que haja incentivos fiscais e parcerias com o governo estadual.
O apelo do prefeito chega em um momento em que o Tocantins debate a distribuição de recursos do Fundeb e do ICMS. Em 2023, Araguaína recebeu R$ 180 milhões em repasses estaduais, mas a prefeitura argumenta que o montante não acompanha o crescimento populacional — a cidade tem mais de 180 mil habitantes e é a segunda mais populosa do estado. "O dinheiro precisa chegar na proporção das necessidades", disse Dimas, sem citar valores específicos para novos investimentos.
A discussão sobre investimentos em Araguaína não é nova. Em 2022, a prefeitura fechou parceria com o governo estadual para a construção de um novo terminal rodoviário, obra que deve começar ainda este ano. No entanto, a execução de projetos maiores esbarra em burocracia e na disputa por recursos com outras cidades tocantinenses. O deputado estadual Carlos Gaguim, que participou do evento, lembrou que a região precisa de mais atenção nas negociações com o Palácio Araguaia. "Araguaína é estratégica para o Tocantins, mas precisa mostrar que os recursos serão bem aplicados", afirmou.
Para os moradores, a expectativa é que as palavras do prefeito se transformem em ações concretas. A dona de casa Maria Aparecida, 52 anos, que mora no bairro Jardim América, resumiu o sentimento de muitos: "Aqui falta tudo: asfalto, posto de saúde, escola boa. Se não vierem investimentos, a cidade vai ficar para trás".
O próximo passo será a apresentação de um plano detalhado de demandas ao governo estadual, com prioridades definidas pela prefeitura e pela sociedade civil. Dimas não adiantou prazos, mas garantiu que a mobilização continuará. "Não vamos desistir. Araguaína merece mais", declarou.
A discussão sobre o futuro de Araguaína e sua região coloca em xeque não só a gestão municipal, mas também a capacidade do estado de distribuir recursos de forma equitativa. Enquanto isso, a população segue na expectativa, torcendo para que os sonhos não fiquem apenas no discurso.