MPTO age para desafogar Hospital Regional de Porto Nacional
Ministério Público do Tocantins investiga rede de saúde para reduzir filas no hospital de Porto Nacional

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) iniciou uma força-tarefa para reorganizar a rede de saúde pública no entorno de Porto Nacional. A ação tem como foco principal aliviar a pressão sobre o Hospital Regional da cidade, que há meses enfrenta superlotação e longas esperas por atendimento. A iniciativa foi anunciada nesta semana e envolve a análise de serviços em unidades básicas, especializadas e de urgência, além de fiscalizações em hospitais e postos de saúde da região.
O Hospital Regional de Porto Nacional é referência para cerca de 20 municípios do entorno, atendendo pacientes de cidades como Ipueiras, Silvanópolis e Santa Rosa do Tocantins. A superlotação não é novidade: há anos, a unidade enfrenta problemas como falta de leitos, demora em exames e filas intermináveis para consultas. A situação se agrava em períodos de seca ou chuvas intensas, quando doenças respiratórias e gastrointestinais aumentam. Segundo dados internos, a emergência chega a registrar mais de 500 atendimentos diários, enquanto a capacidade instalada é de cerca de 300 leitos.
A fiscalização do MPTO começou após denúncias de pacientes e profissionais da saúde sobre irregularidades na gestão dos serviços. Entre os pontos levantados estão a falta de medicamentos básicos, demora na realização de exames e a ausência de contrarreferência — quando o paciente é encaminhado de volta para a unidade de origem sem o devido acompanhamento. A promotoria já realizou reuniões com gestores municipais e estaduais para cobrar melhorias, mas a pressão agora é para que as mudanças sejam implementadas rapidamente.
O MPTO informou que vai mapear toda a rede de saúde da região, identificando gargalos e propondo soluções. A ideia é que, com um diagnóstico preciso, seja possível redistribuir pacientes, ampliar serviços em unidades menores e evitar que o Hospital Regional seja o único ponto de atendimento para casos que poderiam ser resolvidos em postos de saúde ou hospitais de menor porte. A ação também inclui a verificação de contratos com prestadores de serviços, como laboratórios e clínicas de imagem, que muitas vezes atrasam resultados por falta de fiscalização.
Para quem mora em Porto Nacional ou nos municípios vizinhos, a notícia chega em um momento crítico. Muitos pacientes relatam que precisam acordar de madrugada para garantir uma ficha na emergência, enquanto outros desistem do atendimento e buscam ajuda em clínicas particulares — quando têm condições. A situação afeta especialmente idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, que dependem exclusivamente do sistema público. "Já cansei de ver pessoas desmaiando na fila ou esperando horas por um exame que nunca chega", contou uma técnica de enfermagem que preferiu não se identificar.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) reconheceu a gravidade da situação e afirmou que está trabalhando em conjunto com o MPTO para agilizar soluções. Em nota, a pasta informou que já destinou recursos extras para contratação de profissionais e compra de medicamentos, mas admitiu que os problemas são estruturais e exigem ações mais amplas. "A rede de saúde do Tocantins precisa de investimentos contínuos, não apenas em momentos de crise", declarou um assessor da SES.
O próximo passo da promotoria é apresentar um relatório com as irregularidades encontradas e cobrar respostas dos responsáveis. Se as melhorias não forem implementadas em até 60 dias, o MPTO pode ingressar com ações judiciais contra os gestores. Enquanto isso, a população segue na expectativa, torcendo para que a situação melhore antes que mais casos graves sejam registrados.
A reportagem tentou contato com a prefeitura de Porto Nacional, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.