MP recomenda abrigo noturno e protocolo para moradores de rua em Gurupi
Ministério Público do Tocantins pede medidas urgentes ao poder público local após denúncias de vulnerabilidade social

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) enviou uma recomendação ao poder público de Gurupi para que sejam criados abrigo noturno e protocolo específico para a população em situação de rua na cidade. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado na última semana e tem como objetivo garantir direitos básicos e proteção a esse grupo, que enfrenta condições precárias nas ruas da cidade.
A recomendação do MPTO foi motivada por denúncias de moradores e entidades sociais sobre a falta de estrutura para acolher pessoas em vulnerabilidade social. Segundo o documento, Gurupi precisa urgentemente de um abrigo noturno para oferecer alimentação, higiene e repouso àqueles que não têm onde dormir. Além disso, o MPTO pede a elaboração de um protocolo de atendimento, que inclua a identificação das pessoas em situação de rua, encaminhamento para serviços de saúde e assistência social, e a promoção de ações de reinserção social.
O MPTO destacou que a ausência de políticas públicas efetivas para essa população agrava problemas como a fome, a falta de acesso a banheiros públicos e a exposição a doenças. A recomendação também cobra do município a realização de um censo para mapear o número exato de pessoas em situação de rua, o que permitirá um planejamento mais assertivo das políticas públicas.
A prefeitura de Gurupi tem 15 dias para se manifestar sobre as medidas propostas. Caso não haja resposta ou a implementação não seja iniciada, o MPTO poderá ingressar com ação judicial para obrigar o cumprimento das recomendações. A promotora responsável pelo caso, Cleber Toledo, afirmou que a iniciativa busca evitar que a população de rua seja esquecida nas políticas públicas locais.
Para quem vive em Gurupi, a falta de um abrigo noturno significa mais uma noite dormindo em calçadas, praças ou debaixo de marquises. A situação afeta não só os moradores de rua, mas também a população em geral, que convive com cenas de vulnerabilidade nas ruas da cidade. A recomendação do MPTO chega em um momento em que a prefeitura enfrenta críticas por não ter políticas públicas robustas para lidar com a questão social.
A cidade de Gurupi, localizada no sul do Tocantins, é um polo regional com cerca de 85 mil habitantes. Nos últimos anos, o município tem enfrentado desafios na área social, como o aumento da desigualdade e a falta de investimentos em políticas de assistência. A recomendação do MPTO pode ser um primeiro passo para mudar esse cenário, mas depende da ação efetiva do poder público.
O MPTO também sugeriu que o município busque parcerias com entidades religiosas e ONGs para ampliar o atendimento à população de rua. A ideia é que, além do abrigo noturno, sejam oferecidos serviços como banho, corte de cabelo e encaminhamento para emprego. A medida, se implementada, poderia reduzir a exposição dessas pessoas a riscos como violência, doenças e exploração.
A prefeitura de Gurupi ainda não se pronunciou oficialmente sobre a recomendação. No entanto, a pressão do MPTO e da sociedade civil pode forçar mudanças rápidas. Enquanto isso, moradores da cidade continuam a testemunhar a realidade de quem dorme nas ruas, sem perspectivas de melhora imediata.
A próxima etapa será a análise da resposta da prefeitura pelo MPTO. Se as medidas não forem implementadas dentro do prazo, o órgão poderá acionar a Justiça para garantir o cumprimento das recomendações. A população de Gurupi, por sua vez, aguarda por ações concretas que possam transformar essa realidade.