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Motoristas de app em Palmas pagam caro para trabalhar

Pesquisa mostra que gastos com combustível e manutenção inviabilizam a renda de quem depende dos aplicativos na capital

📝 Redação CCN21 de julho de 2026 às 19:57👁 1 leituras
Motoristas de app em Palmas pagam caro para trabalhar

Motoristas de aplicativo em Palmas estão revendo seus planos de vida. O que antes parecia uma oportunidade de renda extra ou até mesmo a principal fonte de sustento virou motivo de preocupação. A alta nos custos de combustível e manutenção dos veículos, somada à queda na demanda por corridas, está obrigando muitos a repensar se vale a pena continuar nas plataformas.

A situação afeta diretamente quem depende dos aplicativos para sobreviver, especialmente nas regiões mais afastadas do centro, como o setor Taquaralto, onde muitos motoristas moram e trabalham. Em bairros como o Jardim Aureny III, a realidade não é diferente: o deslocamento até áreas nobres da cidade, como o Plano Diretor Sul, encarece ainda mais a operação. Com a gasolina beirando os R$ 6,50 o litro em Palmas e a manutenção dos carros consumindo boa parte do faturamento, a conta não fecha. "Antes, com uma semana de trabalho, eu conseguia pagar as contas e ainda sobrava um pouco. Agora, mal consigo cobrir os gastos", desabafa um motorista que atua na região há três anos e pediu para não ser identificado.

O problema não é exclusivo de Palmas, mas na capital tocantinense a situação se agrava pela falta de políticas públicas que ajudem a aliviar o bolso desses trabalhadores. Enquanto a prefeitura discute reajustes em taxas de estacionamento e licenciamento, os motoristas seguem sem apoio concreto. A Agência Municipal de Trânsito (AMT) informou que não há previsão de medidas específicas para o setor, mas reconhece a necessidade de diálogo com as plataformas digitais. "A gente entende a dificuldade, mas a regulação não é simples. Precisamos ouvir todos os lados", afirmou um técnico da AMT que preferiu não ser nomeado.

Os números mostram o quanto a operação ficou inviável. Segundo dados do aplicativo mais usado na cidade, o custo médio com combustível para um motorista que faz 10 horas diárias de trabalho subiu de R$ 800 para R$ 1.200 por mês nos últimos seis meses. A manutenção preventiva, que antes custava R$ 300, agora chega a R$ 500. Em um mês, quem depende exclusivamente dos apps pode gastar até R$ 1.700 só com esses dois itens, sem contar IPVA, seguro e depreciação do veículo. "Tem dia que a gente faz 20 corridas e ainda assim não consegue pagar nem a gasolina", conta outro profissional, que trabalha no setor Sul da cidade.

A queda na demanda também pesa. Com a retomada das atividades presenciais após a pandemia, muitas pessoas voltaram a usar transporte próprio ou transporte público, reduzindo a necessidade de corridas por aplicativo. Em bairros como o Centro, onde antes havia fila de motoristas aguardando passageiros, agora é comum ver carros rodando vazios por longos períodos. "Antes eu fazia 30 corridas por dia. Hoje, quando muito, consigo 15", relata um profissional que atua na região desde 2020.

A situação levou alguns motoristas a buscar alternativas. Alguns migraram para o transporte de cargas leves, como motos, que têm menor custo operacional. Outros estão reduzindo a jornada ou até mesmo abandonando a atividade. "Tem gente que está vendendo o carro porque não aguenta mais", conta um colega de profissão. A incerteza sobre o futuro do setor preocupa quem ainda tenta se manter na ativa. "A gente não sabe até quando vai aguentar", admite um motorista que atua no Taquaralto.

Enquanto isso, as plataformas digitais não apresentaram soluções efetivas. Em nota, uma das empresas afirmou que está "avaliando ajustes" nas tarifas, mas não deu prazos ou detalhes. Outra plataforma, quando questionada, limitou-se a dizer que "incentiva a segurança e a qualidade do serviço", sem mencionar medidas para reduzir os custos dos motoristas.

A prefeitura de Palmas, por sua vez, diz que está atenta ao problema, mas não tem ações imediatas. "A gente está mapeando a situação para ver como podemos ajudar", declarou um assessor da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda. A pasta informou que estuda parcerias com sindicatos e cooperativas para oferecer cursos de qualificação, mas ainda não há previsão de quando essas iniciativas podem sair do papel.

Para quem vive disso, o tempo urge. Com a chegada do período chuvoso, a demanda tende a cair ainda mais, enquanto os custos com pneus e consertos podem aumentar. A esperança é que, em breve, alguma medida seja tomada — seja por parte das empresas, do governo ou até mesmo dos próprios motoristas, que começam a se organizar para cobrar mudanças. Até lá, a luta para manter a atividade segue dura, especialmente para quem não tem outra opção de renda na capital tocantinense.